12 janeiro 2008

Se lhe perguntarem

que cantora inglesa teria coragem de abrir o segundo ábum com "tentaram mandar-me pra reabilitação mas eu disse"não não não" e não se lembrar de nenhum nome, então é porque não conhece Amy Winehouse...

Amy Winehouse é um dos mais extraordinários e chocantes exemplos de genialidade que não consegue segurar a fama. A propósito de uma troca de e-mails com a minha amiga Dalloway, apeteceu-me dar um pouco mais a conhecer a realidade com que se confrontam algumas figuras mais ou menos dotadas (neste caso mais, muito mais) do mundo do espectáculo e que acabam inevitavelmente numa perda estúpida para a humanidade, de um potencial promissor.
Amy nasceu em Setembro de 1983 numa área suburbana de Londres, numa família judaica de quatro elementos com tradição musical ligada ao jazz.
Por volta dos dez anos, Winehouse fundou uma banda amadora de rap chamada "Sweet 'n' Sour, as Sour". Teve a sua primeira guitarra eléctrica aos 13 anos de idade e por volta dos 16 anos, já cantava profissionalmente ao lado de uma amiga cantora de soul, Tyler James.
Seu álbum de estreia, "Frank" (2003), foi indicado para o Mercury Music Prize. Em 14 de fevereiro de 2007 ganhou um Brit Award como Melhor Artista Feminina Britânica entregue pela Baby Spice, Emma Bunton.
Seu segundo álbum, "Back to Black", foi dos discos mais vendidos de 2007 no mundo inteiro (naGrã-Bretanha em 2007 com 1,8 milhão de cópias, e mais de 1 milhão de cópias nos Estados Unidos).
Por ele, foi nomeada para seis Grammys.
Amy, no entanto, estava condenada a ser diferente, dizem que o Showbizz precisa uma vez por outra de alguém assim: uma mistura de génio e junkie-life. Tá aí. Começou pelo cabelo, com um penteado que faz lembrar o de Marge Simpson, o delineador nos olhos inspirados nas cantoras da gravadora Motown dos anos 60, tudo envolvido num som pop/soul. Mais do que simplesmente "diferente", a vida da nova diva da soul, que podia ter-se tornado num estrondoso e longo êxito, tornou-se polémica pela extravagância, pelo pavio curto e pelas confusões em que se mete. Foi assim que Amy Winehouse chamou a atenção do mundo muito para além da sua música: relações com gente duvidosa, escândalos demais, álcool demais, drogas demais, tatuagens demais, bulimia demais, tudo em excesso, até a voz e a facilidade de composição e de criação que conseguiram transformar num êxito uma canção sobre "não querer entrar numa clínica de desintoxicação nem por nada". De qualquer modo, algo de muito grave acontece quando se passa de ser comparada a Ella Fitzgerald para entrar no circulo das Britneys e das Paris Hiltons da vida. Para pior.
No Verão passado, os sogros da cantora pediram aos fãs que parem de comprar os seus discos até que tanto ela quanto seu marido procurem tratamento médico contra a dependência química."Talvez tenha chegado o momento de deixar de comprar seus discos.Assim ela e o marido compreenderão que a sua dependência química e o seu comportamento são inaceitáveis", afirmaram os preocupados Gilese Georgette Fielder-Civil.
Em 10 de Outubro de 2006(creio), foi internada depois de ter dedicado uns dias seguidos a beber vodka e whisky a consumir ecstasy, cocaína e Special K, remédio de cavalo. Foi levada ao hospital com uma overdose. O frequente uso de droga levou a roqueira Courtney Love a fazer uma declaração bombástica: "Amy usa mais drogas do que qualquer um que eu conheça. Já vi muita gente usar cocaína, de Lindsay Lohan a Kate Moss. Mas nunca vi ninguém como Amy Winehouse. Nem eu estava tão mal". Inevitavelmente, foi apelidada de «Amy Wino» pelo Daily . O Sun chama-lhe Amy Declinehouse.
O caminho da auto-destruição é por demais óbvio, como mostra o vídeo em baixo, sem exagero, deprimente. Ela própria disse recentemente que iria morrer cedo, que teria mais um ano de vida. Esperemos que alguém corra e chegue antes.




Links recomendados:
Amy, o principio: teach me tonight
Amy em grade: Back to black
Segundo video mais deprimente de Amy
Amy Winehouse Esta mulher é fogo
Novo look: Amy Winehouse pinta o cabelo de loiro
Amy Winehouse cospe em fãs durante show

20 comentários:

Mocho Falante disse...

Ora viva....

De facto é triste ver um talento como Amy deixar-se levar pela tentação de uma vida fugaz cheia de controvérsias e de abismo. Quando temos os seus pais a pedir aos fãs para NÃO comprarem os discos da filha para evitar que ela tenha financiamento para as drogas, percebemos ao ponto a que estão desesperados.

Eu tenho pena, muita pena, porque Amy é uma força da Natureza artística

beijocas

dalloway disse...

Não conhecia esta versão de... "Beatriz"!
Por momentos fiquei sem ar...
Quando recuperar eu volto.

Cristina disse...

e conhecia a cantora? grande revelação... :)

feche os olhos... :)

Observador disse...

De facto,a Amy Winehouse tem uma excelente voz.
Mas apenas isso.
Talento, zero. Porque o talento sabe apontar o caminho do bem e contrariar o caminho do mal.
Quando Amy apareceu, fui fã.Ouvi-a, por causa da sua voz.
Quando soube das suas "características", desisti.
Amy, nunca mais!

José disse...

Talento zero??? Quem diz isto nao percebe nada de musica muito menos merece ouvir a musica de Amy Winehouse...Ainda bem que nunca mais... Esta senhora vai durar muito tempo, nao acreditem em tudo o que escrevem os tabloides britanicos...E nao tenham pena dela porque aposto que ela nao a quer. Ainda bem que podemos ver alguem que nao é politicamente correcta!! O que interessa é o que nos pensamos de nos, com os outros podemos bem!!E o ultimo video só acredita que é a Amy Winehouse quem quer looll

Cristina disse...

Mocho

sem dúvida. a unica coisa que inspira é pena, mesmo.

Cristina disse...

Observador

o talento não tem nada a ver com o bem e o mal. ainda pode ouvi-la por causa da sua voz, os discos estão aí. e os que ja morreram, ouve, ou também deixou de ouvir?

(não percebi bem esse raciocinio...)

Cristina disse...

José

eu sinceramente duvido que ela va durar muito com esta atitude perfeitamente suicida. a história dos artistas com este tipo de comportamento diz que eles morrem mesmo. cedo.

josé, não vejo isto como ser politicamente correctam nem contestatária nem nada. já nem sei se a hei-de considerar doente. vejo principalmente, uma pessoa cheia de talento com uma cabeça de merda. como tantos que ha por aí.e isso faz-me sempre pena, porque não vão longe. a musica é como o desporto: para se fazer bom trabalho é preciso ter o instrumento, as pernas ou a voz, mas também é preciso estrutura psicologica sólida. quando uma das partes falha, falha tudo.

pretinho disse...

Patético! Ainda por cima faz publicidade à droga e contra a desintoxicação e a reabilitação! Serviço completo. Mas que tem voz e talento, tem. Deitado às urtigas com a vida absolutamente degradante e idiota que leva. E a que propósito vem aí atrás o politicamente correcto? Quando alguém começa a falar do pol. correcto, geralmente sai asneira. Antigamente os drogados chamavam caretas aos outros. Agora chamam-lhes politicamente correctos?

cs disse...

a cabeça de merda só por aquilo que já ingeriu, que lhe comeu os neurónios. Não sou grande fã, incomoda-me profundamente aquilo que hoje os tubes e a net mostram.
imagino o morrisson e tantos outros, por aquilo que li mas não gostava de os ter visto. nem postumamente

:(

dalloway disse...

Uns posts atrás a Cristina falou de sites que fazem apostas bizarras (desconhecia por completo e confesso que me inquietou!)
Ontem li uma pequena nota no jornal publico que diz o seguinte:
"Um site na Internet está a propor aos seus visitantes que tentem adivinhar a data da morte da britânica Amy Winehouse, oferecendo um iPod Touch ao vencedor da macabra sondagem virtual, que decorre desde Dezembro".

Diz a Cristina:
..."De qualquer modo, algo de muito grave acontece quando se passa de ser comparada a Ella Fitzgerald para entrar no circuito das Britneys e das Paris Hiltons da vida. Para pior."

Mais impressionante que a degradação de Amy (e tudo o que a Cristina disse no post e comentários) é sentirmos que vivemos num mundo onde apostas destas são incentivadas e encaradas de forma natural.
É morbido e doentio que esta ( e outras) degradação seja tornada publica como se de um reality show se tratasse.
A vida parece ter-se tornado um simples adorno para aqueles que conseguem imaginar alguém a morrer...e ser recompensado por essa previsão.
O respeito parece ter desaparecido...


**não conheço Mônica Salmaso.
O ar voltou mas o ribombar permanece.
Ah...quando fechei os olhos ...não me saí bem :)

Cristina disse...

cs

é verdade, esta é uma realidade diferente de ha uns anos atrás em termos de comunicação, sem duvida que é. isso significa que estas figuras têm que ter preocupações adicionais...

Cristina disse...

Dalloway

estamos num mundo diferente. estamos num mundo de comunicação em tempo real. não vale a pena odiá-lo nem criticá-lo. vale a pena sim, e muito, aprender a lidar com ele.

a Amy tem 24 anos. 24 anos, Dall. este mundo É ELA!. sabe perfeitamente com o que lida. não soube, infelizmente lidar com ela propria. e isso é o mais triste, não vamos culpar quem observa ou quem filma, isso é desculpa. admito que tenho algum preconceito, posso dizer muito, em relação a gente fraca de espirito. a Amy é seguramente inteligente, não tem nenhuma doença mental, sabe que alcool é alcool, sabe que coca é coca, sabe que drogas fazem mal à saude e ao orgulho, que comportamentos agressivos dão problemas com a policia, sabe que relacionamentos disruptivos dão cabo da sanidade mental, enfim sabe tudo isso. não ha maneira de imaginar que está nisto tudo de ingénua que é.

posto isto, Dall, tenho muita pena, muita mesmo, mas não ponho a mão na cabeça para umas festinhas, tal como não o faço na vida real. então qual é a solução?

se a pessoa está lucida tem duas opções: ou quer tratar-se ou não quer. respeito as duas e apoio as duas, até às últimas.

se a pessoa não está lucida, se não tem relação com a realidade, ha formas de a tratar compulsivamente.

desculpe a dureza dall, mas eu sempre fui assim: pragmática. quanto à visibilidade, é inevitavel e não ha muito mais a dizer, uns expõem-se outros não.

beijinhos

dalloway disse...

Mas desculpar-se de quê Cristina?! Eu sofro do mesmo pragmatismo, o que quer dizer que concordo na totalidade com aquilo que acabou de dizer.

Claro que vivemos no mundo da comunicação e não culpo nem a odeio até porque a comunicação e afins oferecem aquilo que a maioria procura e o problema está aqui e não se a Amy está em condições ou não de tomar uma atitude perante a situação em que se encontra (é óbvio que de ingénua a Miss Winehouse não tem nada!).
A questão aqui é que o mundo da comunicação persiste em a nivelar por baixo para satisfazer interesses vários.

A Cristina tem o discernimento para tentar enquadrar e analisar situações destas, não só de "Amys, Britneys e Paris Hiltons da vida", como também eu tenho esse discernimento e todos aqueles que visitam o seu blogue, mas nestas coisas aquilo que sempre penso é nos mais jovens ou mesmos naquelas pessoas que são permeáveis a determinados comportamentos achando que a vida pode ser vivida de forma gratuita.

A ausência de valores é uma coisa que me preocupa. Este viver como se não houvesse amanhã tornou-se um comportamento demasiado corriqueiro e não falo de estrelas das artes.

A Cristina diz e muito bem que vale a pena sim, e muito, aprender a lidar com o mundo da comunicação mas questão que se coloca é tentar perceber que ferramentas têm as pessoas menos estruturadas para saber interiorizar e enquadrar aquilo que é real , possível, desejável e concretizável.

Cristina disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cristina disse...

Dalloway querida, entramos num campo mais resvaladiço, os mais jovens. pois os mais jovens, são aquilo que fizermos deles. não nos pertencem, têm sua propria personalidade, mas acabam por ser um reflexo do meio em que cresceram e essa é que é uma realidade a que não podemos fugir.

este espectaculo pornografico das vidas que se desfazem, ate pode ser visto pelos mais novos, mas temos que lho mostrar como se vissem um filme do Almodovar, ou seja, as pessoas não são "assim". aquilo não é a vida real, não é a norma, são as circunstancias de cada um. e convencê-los de que há sempre escolhas, sempre. umas mais divertidas, outras mais tristes, umas mais dificeis, que implicam mais sofrimento e sacrificio, outras mais faceis mas com menos dividendos, umas menos dignas, outras mais, umas que nos fazem mais felizes, outras que não nos fazem felizes..mas estão lá. as opções e aquilo que podemos conseguir com elas.

esse é que eu acho que deve ser o melhor ensinamento.

beijo

dalloway disse...

Quer ver que devo começar escrever em inglês quando quiser comentar porque é a língua que melhor domino?!
Não é por nada Cristina, mas acho que aquilo que acabou de dizer foi a mesma coisa que eu disse (ou pelo menos era essa a intenção), mas como a artista escreve bem o seu pensamento parece completamente diferente do meu. Olhe que não é.

Acima de tudo Cristina, é importante aprender tudo, as coisas boas e más, as qualidades, os falhanços, os defeitos, a capacidade de escolha....
O facto de ter falado das pessoas menos diferenciadas isso não quer dizer que as acho menos capazes de filtrar o mundo que as rodeia e não falei somente dos mais jovens (espero pelo menos ter conseguído transmitir isso).
Não me apetece mesmo nada começar a ver por aí "cães Pavlovianos".

O importante Cristina é as pessoas sentirem e saberem que a liberdade implica responsabilidade. O resto virá por acréscimo.

Cristina disse...

sim Dalloway, estamos no mesmo comprimento de onda, com musica e tudo :)

beijinhos

MariaTuché disse...

Adoro a voz dela, é brutal, mas lamentável a sua conduta, faz confusão, pois quem a ouve cantar sem saber a vida que leva jamais imaginaria.

Uma pena não ela não gostar da vida com o dom que tem.

beijosssssssss

Anónimo disse...

essa nao e a amy winehouse meu parolo