09 dezembro 2007


Os ginastas chineses e seus treinadores assinarão um contrato com as autoridades desportivas do país no qual se comprometerão a não se dopar nem sofrer lesões, para que a China possa contar com os melhores e manter intactas suas opções de conseguir medalhas de ouro no desporte durante os Jogos Olímpicos de Pequim.
"Nos próximos dias todos os treinadores nacionais assinarão contratos com a Administração de Gimnasia para prevenir lesões sérias antes dos Jogos. Além disso, todos os ginastas se comprometerão a evitar qualquer problema relacionado com o doping", disse Zhang Peiwen, chefe da equipe de ginástica, ao jornal "China Daily".
A China está preocupa com o novo sistema de pontuação introduzido pela Federação Internacional de Ginástica, que leva os atletas a buscar manobras cada vez mais difíceis. Isso aumenta consideravelmente o risco de lesões num desporto normalmente já perigoso.
A actual equipe de ginástica chinesa é a melhor da sua história, com 13 ouros nos últimos dois mundiais mas as lesões resultantes de riscos desnecessários podem derrubar um esforço de vários anos.
Em Março, Li Xiaopeng, o melhor ginasta chinês, 14 vezes campeão olímpico e mundial, sofreu uma lesão e teve que ficar afastado do desporto todo o ano. Há dúvidas sobre suas condições para os Jogos Olímpicos, o que disparou o alarme das autoridades desportivas.

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Já não era novidade para ninguém que o nível de exigência no desporto (nomeadamente ginástica) na china, roçava o nível da selvajaria em termos de esforço físico, não permitindo sequer aos atletas um desenvolvimento normal e saudável para a idade. Nada disso era novidade, mas, obrigar por escrito os treinadores a "não darem cabo dos atletas"? Extraordinário...
Até porque, o reconhecimento por "Trazer glória ao meu país, com suor e lágrimas", como dizia Ai Dongmei, campeã chinesa, parece ser o abandono total. A ex-atleta, campeã das maratonas de Pequim e Dalian em 1995, decidiu recentemente vender algumas das suas 19 medalhas de ouro para fazer face à situação de pobreza em que vive, noticiava a imprensa de Pequim. "Já andava há tempos a pensar nisto. Ao princípio, queria vender todas as medalhas, como se nunca tivesse sido campeã. Mas, depois, pensei deixar algumas para a minha filha, para que, quando crescer, saiba quem foi a mãe", disse Ai. "Não há outra hipótese, a renda é cara e a minha família veio para Pequim com apenas 200 renminbi (29,34 euros) no bolso", afirmou Ai Dongmei ao jornal da capital chinesa. A atleta abandonou a competição profissional devido a uma lesão no pé, tendo terminado bastante cedo uma promissora carreira na modalidade, sem ter participado nos Jogos Olímpicos.

6 comentários:

Lola disse...

Cristina mais linda

O "desporto" de alta competição, prejudica a saúde dos que o praticam.
Vê o exemplo, óbvio, dos jovens que praticam a marcha e os halterofilistas, com deformações osteoarticulares graves e permanentes.

Mas na maioria dos casos, é uma escolha, e só progride na competição quem for capaz de suportar a dor e o cansaço extremos.

No caso dos chineses não há escolha.
São crianças que são obrigadas, até pelos Pais, ao sacrificio absoluto, muitas vezes com risco de vida.

A sociedade chinesa, tem valores que ás vezes eu tenho dificuldade em perceber.
Mas a crueldade com que tratam as crianças, nomeadamente as meninas, que são abandonadas ou mesmo mortas,apenas porque são raparigas, não tem compreensão possível.

Na chamada alta competição os riscos, a tortura,o abandono, o absurdo sofrimento destas crianças deveria ser analisado como um crime contra os direitos humanos e ser penalizado como tal.

Sem medalhas.

Beijos

Cristina disse...

lolita bonita

aplausos! :)

Desinformador disse...

a solução quanto a mim é simples! Neguem-se a treinar! Assim até podia ser que algum ginasta 'tuga' tivesse a sorte de conquistar uma medalhita...

Repórter disse...

Os objectivos no alto rendimento (ou alta competição) são claros. Exige-se o impossível.
Porém, enquanto em alguns países tal tarefa constitui um esforço colectivo, sem obrigatoriedade, nesta espécie de países evidentemente democratas, a exigência roça o absurdo.
E com a China, ainda por cima a "jogar em casa", passa-se isso mesmo.
E quem não aceitar (ou não conseguir) o desafio, é "carne para canhão".

Rosalina disse...

Enquanto fui lendo o post, fui repetidas vezes (re)vendo a foto...

O esgar de dor da criança (ginasta) é horripilante.

E pergunto eu, depois dum fim-de-semana português em cimeira,...pergunto eu, de que adiantará o Os ginastas chineses e seus treinadores [assinarem] um contrato?

Alguém acredita que?!

Eu não.

st3veS. disse...

existem muitos abusos ainda hoje no desporto, em muitos países....inclusivé pressão sobre os atletas....