21 dezembro 2007

Natal II


Fernânda Câncio no DN
Leio o que vai saindo em jornais e revistas e blogues sobre o novo valor do salário mínimo para 2008 e fico sem perceber nada. Na Sábado, Sérgio Figueiredo, jornalista da área de economia que actualmente é administrador da Fundação EDP, assevera que o salário mínimo dos portugueses tem, nos últimos anos, "ganho", apesar de poucochinho, à inflação. O PCP faz uma nota sobre o assunto cantando vitória ("O anúncio feito da fixação do valor do Salário Mínimo Nacional para 426 euros mensais em 2008 constitui uma derrota da estratégia das associações patronais [e] só foi possível com a forte e persistente luta dos trabalhadores dinamizada pela CGTP-IN, que derrotou a estratégia de degradação do poder de compra e o ataque ao SMN") e conseguindo usar a tão saudosa palavra "mordomia" - infelizmente, apesar de procurar com gula, não encontrei "o grande capital" nem "os grandes latifundiários".
(...) Olho para isto tudo e relembro: estamos a falar de 25 euros. O preço de uma refeição num restaurante médio. O preço de cinco bilhetes de cinema (nem chega). O preço de um DVD. O preço de uma camisa na Zara. Estamos a falar de miséria: a miséria de um país onde há mesmo gente a viver com 400 e tal euros por mês, gente que se mata a trabalhar por 400 e poucos euros por mês, e onde há quem discuta se isso não será mesmo assim de mais, sem se lembrar de discutir que raio de empresários quereriam pagar ainda menos que isso por um mês de trabalho e que raio de empresas merecem sobreviver se nem isso aguentam pagar aos seus empregados. E que raio de país é este no qual um aumento de 83 cêntimos por dia é uma grande vitória da classe operária e de todo o povo em geral.

8 comentários:

Francis disse...

Estamos a chegar ao capitalismo assassino, em que o que interessa é a retribuição a accionistas, em que os CEO e o CFO são pagos a peso d'ouro, para gerar resultados pornográficos e bónus chorudos para todos. basta ver os lucros das grandes companhias em bolsa...mas, depois acontecem casos como a Enron e a Arthur Andersen, em que a pressão dá no que dá. A loucura da concorrencia esmaga os preços, os novos países com mão d'obra a isso ajudam, e quando isto tudo não chega, vai o trabalhador prá rua, que na minha Mercedola e na minha casa na Qta da Marinha, isso meus amigos, aí ninguem toca...

é triste, muito triste.

porra já pareço um sindicalista a falar.

Desinformador disse...

enfim... é o país que temos.

mas agora o mais importante é disfrutar do natal em família, comer e beber bem e apreciar a vida.

feliz natal outra vez!

Carminda Pinho disse...

Também li Cristina e, pensei:
Será que se soltou a "pessoa" que há dentro da namorada do nosso primeiro???

Beijinhos

dalloway disse...

Não sei se é por ser bilingue e também dislexica que tenho ainda maior dificuldade na aprendizagem da linguagem do dinheiro.
Não consigo entender estas discrepâncias...
Isto não é para quem quer, é para quem pode!

Cristina disse...

francis

espero que nunca sejas porque como vês, não passa de discurso durante estes anos todos continuam a queixar-se das más condições de trabalho e a considerar uma grande vitoria um aumento de 83 cents por dia :)

beijo

Cristina disse...

desi

isso mesmo, e nós também somos uma! portanto, amigo, tchim-tchim! :)

Cristina disse...

carminda

ás vezes solta-se. na maioria das vezes até parece que ha pouco de humano, é verdade. muita obstinação, muito cerebro, mas ninguem aguenta tanta frieza sempre.

bj

Cristina disse...

dalloway

tÁ bem. não pensemos mais nisso, por agora :)

beijocas