29 dezembro 2007

entretanto, uma no cravo outra na ferradura. é extraordinário


mas parece que o ministério da saúde voltou à carga com a ideia lastimável de passar a disponibilizar os medicamentos para a SIDA fora das farmácias hospitalares. Sinceramente não entendo, nunca entendi, os fundamentos desta obstinação. Significa algo simples e preocupante: o desconhecimento completo dos motivos pelos quais o tratamento é, e deve ser, fornecido pelos hospitais. Mais uma vez, a SIDA não é uma doença qualquer, é uma doença que requer seguimento apertado, não só dos doentes cumpridores mas também, quantas vezes mais importante, dos não cumpridores. E a realidade neste momento é esta: os médicos que fazem consulta de infecto nos hospitais têm uma monitorização do tratamento, doente a doente. Quer isto dizer que, sempre que alguém deixa de levantar os medicamentos, o médico é avisado de que "aquela pessoa" interrompeu a terapêutica. Sempre que há efeitos secundários importantes, clínicos ou laboratoriais, o farmacêutico facilmente contacta o médico prescritor e o informa da complicação de modo a que ambos possam substituir a medicação em causa. Sempre que há alguma intercorrência com algum doente, é muitas vezes o farmacêutico o primeiro profissional a ser consultado e este em conjunto com o médico podem tomar as medidas que entenderam oportunas. Quer isto dizer que em ambiente hospitalar em que os profissionais se conhecem e conhecem bem os seus doentes, é muito mais fácil fazer este trabalho absolutamente essencial para que as terapêuticas sejam cumpridas. Quer isto dizer também que, se a disponibilização da medicação sair da alçada do hospital, os doentes ficarão não só muito mais desprotegidos, como os não cumpridores serão muito mais dificilmente identificáveis e serão, logicamente, muito menos controlados. Ao contrario do que se possa pensar, esta medida aparentemente facilitadora, não augura nada de positivo no já desastroso panorama da SIDA em Portugal.

3 comentários:

Lola disse...

Triste ideia esta.
Já é tão difícil manter a vigilancia destes doentes, sempre difíceis, sempre complicados...

Não dá para entender

Repórter disse...

Cá temos o governo a "sacudir a água do capote" e a não assumir o que deve assumir.
Cuidado com estas leviandades.
Podem sair muito caras a quem precise deste tipo de cuidados.

Mas ... o que vejo lá longe?
Parece-me o logotipo do INFARMED...

Anónimo disse...

o que tu queres sei eu