06 dezembro 2007




A Duca escreveu um post interessantíssimo com o título Infidelidade e Adultério. E -lo, a partir de um outro, onde se colocavam as seguintes perguntas: O que é a infidelidade e quando começa? No pensamento? Na cama? Ou palavras que se dizem e que se escrevem? Onde está a vossa bitola?
A Duca faz uma analise social e histórica, fala sobre o enquadramento religioso, sobre a evolução da mentalidades, dando também a sua postura sobre o assunto (aconselho, tal como a discussão que se segue). Há quem pense que somos naturalmente polígamos e que só não traímos, se não houver oportunidade. Há quem pense que não, e até se confesse monogamica e fanática pela fidelidade. Há quem pense que o adultério pode ser uma coisa passageira, há quem diga que não existem adultérios passageiros: todos são eternos.
A Duca diz ainda que A infidelidade começa quando alguém dirige os seus pensamentos sentimentais ou desejos sexuais para alguém que não é o seu cônjuge ou companheiro(a) e que Quando se passa dos pensamentos e palavras à acção, estamos perante o chamado adultério.
e a diferença, é importante? voltamos então à inicial: O que é a infidelidade e quando começa? No pensamento? Na cama? Ou palavras que se dizem e que se escrevem? Onde está a vossa bitola?

17 comentários:

Rosalina disse...

Hoje, na SIC notícias, o fulano da pt, acho que era esse e do qual não me lembro o nome...:p (é a idade!!!), às tantas e a propósito de negociações, contratos, dizia que, por analogia, o casamento mais feliz era aquele que se fazia por interesse. Aquele em que as pessoas se uniam por razões materiais e em que cada um conhecia muito bem as regras.

Se pensarmos como ele essa história da infidelidade / adultério não existe, uma vez que não haverá sentimentos que sejam traídos.

Talvez todos fôssemos mais felizes se assim fosse e soubéssemos o que andávamos a fazer e porquê.

E sabes, acho que nem vou reler o que escrevi, porque tenho a impressão que isto foi apenas um devaneio escrito em voz alta. :p

beijocas.

Cristina disse...

Rosalina

é perfeito!! já o escrevi em tom de brincadeira, mas embora pareça pouco romântico, é isso mesmo. por melhores razões, suponho.

os casamentos de que falas eram feitos atendendo a vários interesses e em consideração a valores para nós absurdos, mas naquele contexto inquestionáveis. e a vida corria, cada um amando quem tinha vontade.

eu falo de outra coisa, de interesses sentimentais inabaláveis. eu conheço relações assim e fico espantada como resultam. de facto não há traições, há um caminhar junto, lado a lado, cada um com as suas qualidades e fraquezas, diferentes, mas sob uma base comum bastante sólida. muito curioso isso..

antonio boronha disse...

cristina,

(rosalina,
acho que era o henrique granadeiro...)

infidelidades, adultérios, whatever, são sintomas.
não de doença mas de amor.
definitavamente de um que terminou.
de outro a começar?...not necessarily.

ps,
não é preciso acrescentar que não 'acredito' em poligamias.
porque isso, a nós, ocidentais, costuma dar um 'trabalhão' do caraças. admito que aos nossos vizinhos muçulmanos, ao que alguns, me contaram, dê um enorme jeito.

dalloway disse...

Poucas são as vezes que ao ouvir a palavra infidelidade não me lembre de "Eyes Wide Shut" de Kubrick.
(venha o tio sigesmundo e explique este meu devaneio :)

Li ontem o post da Duca e na altura a Cristina já tinha comentado. O interessante destas coisas é apercebermo-nos que de vez em quando aparece alguém que tem precisamente a mesma opinião que nós sobre um determinado assunto e esse alguém foi a Cristina.
Não vou ousar escrever o que quer que seja porque faço minhas as palavras que a Cristina deixou no comento do post da Duca.
Quando a Cristina falou de infidelidade e lealdade isso fez-me lembrar o que disse Frida Kahlo a Diego Rivera no filme "Frida Kahlo".

Está bem....vou deixar de ver filmes, plontos!

Gwyn disse...

Cristina, segue um post que li no blog do Ricardo Cabral -
http://agoracomdazibaonomeio.blogspot.com/

"Receitas para escolher...

Ingredientes:
1) Necessidade de escolha
2) Dúvidas
3) Potência, Dever e Desejo, independente da ordem

Modo de preparar:
Em vez disso, uma história:

Era uma vez uma bela e casada moça, que em dado momento se viu muito bem cortejada por um belo e solteiro moço. Diante das insistentes investidas do rapaz, e tentada a lançar mão daquela velha máxima que diz que "a melhor forma de se livrar de uma tentação é ceder", chamou-o para uma conversa, da qual deixo de lado as tratativas iniciais e vou logo aos finalmentes:

- Querido, deixe eu te dizer: não vou para a cama com você.
- Mas... não entendo.. o clima entre a gente... por quê?
- Sim, o clima, tem razão... Então vou tentar te explicar. Quando tenho que tomar decisões, penso em três palavras: Poder, Dever e Desejar. E, na situação da gente, não é diferente.
- Ahn??!!
- Explico. Não posso negar que, sobre ir pra cama com você, desejar, eu desejo. Ao mesmo tempo, poder, eu posso. Sei que tenho o poder de ir pra sua casa, pro motel, pra onde eu quiser, não há nenhum obstáculo de ordem física, por exemplo, que me impeça. Mas tem uma coisa que você já sabe: sou casada.
- E daí?
- Daí que sei que magoarei o meu marido, sei que sentirei culpa, sei um monte de coisas e desconheço outras, mas sobretudo entendo, por esses e por outros aspectos, que não devo ir pra cama com você.
- Mas... mas você vai abrir mão do seu desejo?
- Não se trata de abrir mão, querido, trata-se de não ser prisioneira do meu desejo, achando que ele é o meu único parâmetro. E meu anjo, se acontecer de eu dever ir pra cama com você, não se preocupe, você vai ser o primeiro a saber. Mas torçamos para que eu e você possamos, e que ainda desejemos. Se não, ou não vai ser, ou vai ser muito ruim..."

Gwyn disse...

Com relacao a infidelidade e lealdad, como Dollaway, eu concordo plenamente com o que voce escreveu.

Cristina disse...

António

uma infidelidade significa um amor a terminar? sempre? é que eu acho que pode não ser verdade...não achas possivel continuar a amar uma pessoa e ter um "encantamento" por outra sem que esse amor deixe de existir? tudo depende das regras que se estabelecem não é? por isso é que eu prefiro falar em LEALDADE.

;)

cs disse...

Fidelidade?Infidelidade?-" I can resist everything except temptation" Oscar Wilde

DUCA disse...

Cristina

Consegui arranjar tempo para responder aos comentários lá no Tempus (a falta de tempo às vezes é mais que muita) e vou fazer aqui um pequeno resumo das minhas respostas.

Não coloco o adultério como uma inevitabilidade. Como uma inevitabilidade coloco a infidelidade. O que digo é que se nem todos cometemos adultério é por falta de oportunidade. E essa oportunidade assume várias formas das quais, as que apresento no texto são meramente exemplificativas já que há muitas outras. Talvez o termo mais correcto seja disponibilidade.

O problema da maioria dos seres humanos é que idealizam o outro com características que ele(a) não têm e projectam nele e na relação desejos e sonhos que ele(a) não podem dar. Colocamos uma fasquia muito alta nas exigências que fazemos ao outro e, essa postura, mais que o adultério que ele possa até vir consumar, é profundamente injusto porque é uma reserva mental anterior à relação em si.

Nos comments lá no Tempus dizes isto "ai de nós quando deixamos de ser impressionáveis pelo que de melhor por aí circula" e "compreendo perfeitamente um encantamento temporario por alguém, duvido muito até de quem diz que não". Não me é estranha esta postura porque penso também assim.

Quanto ao ser enganada, não o suportaria se a minha companheira tivesse algo sério com alguém e não mo dissesse. É que, se a coisa é séria, eu tenho o direito de o saber para poder tomar a atitude de, com dignidade, largar a relação e deixar a pessoa viver livremente o que sente.

Agora, se a coisa não é séria e foi uma situação pontual, não quero saber. E não quero saber exactamente porque iria ficar magoada sem necessidade e essa mágoa poderia destruir a relação.

E é aqui que a minha postura é muito criticada. Mas, é como penso. Quero lá saber de uma "aventura" da minha companheira se para ela não passou disso mesmo, uma aventura. Para quê pôr em risco uma relação boa por causa de uma queca sem consequências?

E por favor, deixemo-nos de moralismos bacocos achando que se houve uma aventura sem importância é porque já não há amor! Não é verdade!

Cristina disse...

dalloway

ora aí está um filme que me diz muito: Frida Kahlo.

é engraçado que quando falo em "filmes da minha vida" penso em filmes que vi há anos e que na altura e em determinado contexto mexeram comigo. que talvez hoje, não me dissessem muito ou me parecessem estúpidos mas, querendo ser honesta foi assim e nada a fazer. bom, mas isto para dizer que dos que vi ultimamente Frida foi um filme e uma mulher que entendi na perfeição, tal como a protagonista do 9 semanas e meia na altura:)

curioso, muito curioso, é que a base de lealdade é a mesma mas em focos diferentes: no primeiro, na propria, no segundo, no outro.

coisas..

Cristina disse...

gwyn

muito interessante esse texto. no fundo é a luta das nossas vidas..lol

beijo, obrigada.

Cristina disse...

DUCA

concordo completamente contigo, menos numa coisa, eu preferia saber e acredita, a minha atitude não seria diferente. tenho uma coisa estranha que ja tentei explicar mas as pessoas raramente entendem: nunca me considerei dona de ninguem. nunca senti ciumes de ninguem. nunca corri atrás de ninguem, comigo sempre foi se estás óptimo se não estás óptimo, nunca corri atrás..nem em relações amorosas, nem de amizade, nem outras. dou liberdade total e egijo o mesmo. isto para mim não tem nada a ver com gostar ou não, embora às vezes crie duvidas legitimas.

vou-te dar um exemplo bem simples disso: o blog. há pessoas de quem gosto muito que por vezes estão um monte de tempo sem aparecer. não vou buscá-las, não mando recados, não faço perguntas. mas quando voltam fico feliz e recebo-as como se fosse ontem, sem qualquer drama.o meu sentimento por elas não se alterou e digo isto de coração.penso sempre que "há-de voltar quando tiver vontade e isso é muito melhor" não sei se me expliquei. sou assim, de facto, desde as relações mais light até às mais profundas. só exijo lealdade, nada mais.

DUCA disse...

Cristina

Tens certas características com as quais me identifico.

Também não sou ciumenta nem possessiva.

Na verdade não sei se iria destruir a relação se ela me contasse uma aventura sem importância porque ainda não passei por isso, mas conhecendo-me como me conheço, sei que não seria por via de ataques de ciúme ou posse. Pelo contrário, possivelmente fechar-me-ia e seria por via da indiferença e, até, da frieza.

Bom fim de semana. :)

Beijo

Cristina disse...

pois

se eu chegar à fase do ciume, isso para mim significa uma coisa: ja não tenho confiança nos sentimentos da pessoa. e não precisa de ser infiel, tás a ver? são coisas diferentes. aí, acabou, por muito que goste. ja me aconteceu uma vez. custou-me os olhos da cara mas, tomada a decisão, não há volta possivel.

às vezes, o que parece tolerancia a mais, de facto é uma exigencia maior ainda.
o corpo não me importa muito, a alma sim.

Cristina disse...

pois

se eu chegar à fase do ciume, isso para mim significa uma coisa: ja não tenho confiança nos sentimentos da pessoa. e não precisa de ser infiel, tás a ver? são coisas diferentes. aí, acabou, por muito que goste. ja me aconteceu uma vez. custou-me os olhos da cara mas, tomada a decisão, não há volta possivel.

às vezes, o que parece tolerancia a mais, de facto é uma exigencia maior ainda.
o corpo não me importa muito, a alma sim.

e-ko disse...

pois eu não sou absolutamente nada ciumenta mas tenho uma certa tendência para ser possessiva... entrego-me totalmente a relações exclusivas, pouco importa se duram muito ou pouco tempo. ao longo da vida fui fiel, leal e monogâmica mas várias vezes...

Rosalina disse...

Obrigada, antonio boronha.Era esse, era.