01 dezembro 2007

Around The World


a música que se ouve por aqui neste momento, pertence ao CD One World, Many Cultures da marca Putumayo e classificada como World Music.
A história da marca e do próprio termo World Music merecem uma referência. Então, como género de mercado, a world music tem certidão de nascimento com data e local registados. Veio à luz em 29 de Junho de 1987, em Londres, durante uma reunião de gravadoras inglesas às voltas com uma dilema: como vender artistas de países periféricos que, por um motivo ou outro, constavam dos seus catálogos? O plano de acção foi modesto. Inventou-se o rótulo e uma verba de 3.500 libras que foi direccionada à sua divulgação.
Poucas acções de marketing devem ter sido mais efectivas na história da indústria discográfica.
Depois de algumas publicações da época -como o New Musical Express- se converterem à causa, a onda cresceu sozinha. Grandes lojas de discos como a Virgin criaram secções específicas e de repente lá estavam, surgidos do nada, o mistério das vozes búlgaras e o falsete esquimó.
A moda rendeu dividendos, mas, em meados dos anos 90, começou a arrefecer.
Embora o género tivesse chegado para ficar, parecia que ninguém mais conseguiria ganhar dinheiro com ele como nos primeiros tempos. Isto, até à entrada em cena do americano Dan Storper com o selo Putumayo, que parece ter descoberto uma fórmula eficaz de vender a world music no século XXI.
Storper formou-se em estudos latino-americanos pela Universidade Washington em 1973 e quis verificar na prática o que conhecia na teoria. Viajou pelo Equador, Peru, Bolívia e Colômbia.
De regresso, descobriu que bolsas e ponchos que tinha trazido na mala podiam causar alguma comoção. "Quando uma loja de departamentos me ofereceu 5.000 dólares por uma bolsa que havia custado tostões, vi-me diante de um belo negócio"; criou a rede Putumayo, especializada em artigos desses países como roupas e produtos de artesanatos (o nome corresponde a um dos muitos rios localizados na metade oriental da Colômbia, área caracterizada por planícies baixas e densamente florestadas).
A música entrou na história – como não poderia deixar de ser – no começo dos anos 90.
Depois de visitar uma das lojas da sua rede em Los Angeles, e de se assustar com a música de fundo escolhida pelo vendedor – um rock pesado, com guitarras estridentes –, Storper passou a escolher pessoalmente a música ambiente das lojas que passou a música latina e de artistas americanos principiantes. Famosos como Jane Fonda e Mia Farrow freqüentavam assiduamente as instalações à procura de novidades. Com o tempo, os clientes passaram a interessar-se mais pela música ambiente do que pelos produtos que estavam à venda.
Fundou então o selo Putumayo World Music, em 1993. Em 1997, a gravadora tornou-se mais rentável do que as lojas, das quais Storper se desfez.
Por meio de compilações temáticas e um trabalho visual facilmente reconhecível, ilustradas pela artista inglesa Nicola Heindl, de estilo folclórico e colorido representativo da arte naïf, a Putumayo viu sua popularidade crescer. Hoje, álbuns da Putumayo não vendem menos do que 100.000 unidades por título, com um lucro em 2006, de 24 milhões de dólares.
Não produz discos inéditos, apenas licencia faixas de outras gravadoras para criar compilações de ritmo dançante e melódico. Alguns dos seus álbuns são dedicados a regiões específicas do mundo, mas uma boa parte deles tem espírito ecuménico, de modo que o americano Moby pode aparecer lado a lado com Angélique Kidjo, do Benin; canções de ilustres desconhecidos como Jamed ou Adama Yalomba, ao lado de artistas já consolidados como Habib Koité e Miriam Makeba. O ponto crucial da estratégia é deixar para trás o engajamento da world music dos anos 90. Não pretende educar o ouvinte inculto nem para lutar pela dignidade dos músicos africanos. "A principal missão é criar discos que façam o comprador sentir-se bem", diz Storper.
Algumas colectâneas, como Asian Dreamland, têm apelo esotérico. Outras têm apelo hedonista.
Storper passa boa parte do ano em viagem por Marrocos, Costa Rica, Senegal, África do Sul e Grécia entre outros. Grooves asiáticos, salsa ao redor do mundo, canções judaicas ou de lounge europeu são algumas das tendências e estilos que construíram a fama e o prestígio do selo.
Putumayo construiu, nestes anos, uma rede proprietária composta por mais de 3.000 estabelecimentos de livro, presentes, cafetarias e outros pontos de vendas especializados que tocam e vendem os CDs, enquanto mantém uma forte presença em lojas de discos. Desenvolveu o Travel the World with Putumayo, concursos entre os consumidores em Martinica, Irlanda, Marrocos, Brasil e Senegal, que consistem em educação musical nas lojas, eventos culturais, performances e promoções para os consumidores.
A divisão Putumayo Kids foi criada no fim de 2002 para introduzir às crianças outras culturas através de música alegre e divertida. A série World Playground de CDs infantis e pacotes de actividades multi-culturais receberam elogios e diversos prémios.
É difícil definir o que é world music. Talvez...Diversificação. Valorização de culturas originais de cada país. Vanguarda. Quebrar fronteiras. Riqueza. Sons exóticos. Prazer e comunicação, acima de tudo.
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1 comentário:

e-ko disse...

um bretão bretonante e um africano, que coktail... eu gosto muito!

beijinho