estratégias.
Luís note bem: eu acho, como toda a gente, que quem faz um bom trabalho deve continuar. Não conheço a senhora(Dalila Rodrigues) em questão, pelo que leio acredito que seja um tremendo erro não a ter reconduzido e principalmente mais um big tiro no pé, a motivação.
Mas também...que diabo! neste momento, não há blog que não exalte as suas capacidades excepcionas de gestão do Museu Nacional de Arte Antiga, da sua responsabilidade na recuperação de "um dos nossos melhores museus da meia-ruína que há três anos representava a realidade miserável da cultura em Portugal"...etc.
Toda a gente lhe conhecia e enaltece as qualidades e nunca vi alguém falar nelas. Antes. Agora é tarde. Talvez devêssemos começar a antecipar-nos. A falar mais de quem faz bem, de quem tem valor e principalmente de quem tende a acumular essa estranha qualidade de "pensar pela própria cabeça".... a ter mais atenção e os mesmos dedos afiados para quem merece ser acarinhado.
É que nesse caso, quando a excelência se torna pública, atitudes destas tornam-se mais difíceis de tomar...não será um desafio a considerar? não servem os blogs também para isso?





45 comments:
VPV no Público de hoje coloca, a meu ver, o assunto nas suas devidas proporções.
vai por aí uma confusão na cultura e no ministério... mas não é coisa nova.
Quem pode pôr aí o artigo do VPV? só para ver o que esse comentador de serviço diz sobre o assunto
José Manuel Fernandes tem imensa razão. O melhor que tem o Museu Etnográfico e Etnológico Dr. Joaquim Manso é o sítio e a vista. Em princípio não devia existir e, a existir, não devia ser do Estado, devia ser da Câmara da Nazaré. Há museus destes por todo o país. Um notável local, zangado com a família ou mais provavelmente interessado em deixar um condigno monumento a si próprio, doa a casa ao município e ao Estado, com meia dúzia de antiguidades sem especial interesse ou mesmo sem coisíssima nenhuma, com a condição de o município ou Estado lá fazerem um museu. Por ganância ou para não ofenderem o patriotismo da terra, o município e o Estado aceitam e ficam dali em diante com um peso financeiro ao pescoço (funcionários, manutenção, por aí fora), que nada justifica ou desculpa e de que legalmente não se conseguem livrar.
José Manuel Fernandes também tem razão quando argumenta que o Estado não deve tratar em pé de igualdade "museus" como o Joaquim Manso e o Museu Nacional de Arte Antiga. Se pudesse e se fosse governado com alguma lógica, o Estado devia vender o que é mau para investir no que é bom. Mas José Manuel Fernandes calcula com certeza a indignação e a fúria que provocariam uma medida dessas. Caía o céu. E, sendo o ministro da Cultura um funcionário político, e ainda por cima muito pouco importante, nenhum até agora mostrou grande inclinação para se matar por causa do "museu" Joaquim Manso ou das dezenas de outros pseudomuseus que o Estado irresponsavelmente recebeu.
É uma verdade triste, que nem José Manuel Fernandes, nem a antiga directora do Museu de Arte Antiga, Dalila Rodrigues, suportam com facilidade. José Manuel Fernandes, porque, suponho, o absurdo da situação o irrita. Dalila Rodrigues, porque os pseudomuseus que o Estado sustenta acabaram por absorver o dinheiro de que ela precisava para um trabalho reconhecidamente bom. Há, no entanto, uma enorme diferença entre os dois. Dalila Rodrigues, por muito que lhe custe, está obrigada à obediência e não é admissível que vá para os jornais censurar a ministra. Não lhe compete definir a política do ministério; e a administração pública não se tornou ainda numa instituição democrática. A dr.ª Pires de Lima tomou nota e, muito justamente, correu com ela. Misturar este caso com o "caso Charrua" ou com as denúncias no SNS, só serve par invalidar ou enfraquecer a crítica ao real autoritarismo de Sócrates.
fado, se queres a minha opinião este artigo nao faz muito sentido.
o proprio VPV só faz sentido muito raramente...
não sei em que termos a senhora contestou a politica do governo. agora sei que quem gere tem que colocar algum cunho pessoal no que faz e que pelo menos saber do que está a tratar. todas as ideias são validas, umas podem aplicar-se outras não, mas não devem ser motivo de não recondução, tanto mais que parece que o seu trabalho foi pelos proprios elogiado. isto é falta de senso. ou não se gosta do trabalho da pessoa, ou se se gosta, tenta-se fazer-lhe entender os motivos dessa politica. qualquer pessoa de boa fé o entenderá.
sei exactamente do que falo. já contestei muiiitissimo os meus superiores e nunca nenhum me despediu ou retirou do cargo de chefia. é essa a diferença.
eu moro em frente ao museu, e digo-vos, desde que esta senhora tomou conta daquilo a dinamica é intensa...eu não tenho duvidas que esta sra estava a fazer um optimo trabalho.
Situação inédita em Portugal?
O sonhador
Não era esta senhora que, já por várias vezes tinha posto o lugar à disposição?
E então… agora quando uma pessoa não é reconduzida num lugar dá-se-lhe o nome de demitida?
Experimentem em qualquer empresa que não seja do Estado, vir para a imprensa contestar políticas superiores. Experimentem e verão.
Mas afinal, quem é a dona Dalila Rodrigues?
Prontos. Vou de férias. Beijinho e cuidado com a bílis, não deixes que a rapaziada te chateie.
Cristina,
Dou-te razão quando dizes que só foi lembrada agora. Realmente Portugal tem um grave problema cultural que começa por nunca falarmos e elogiarmos quem merece. Só o fazemos pela negativa ou seja, só se falou quando foi demitida.
A culpa é nossa...claro.. pois temos a obrigação de exigir que sejam pessoas competentes a dirigir o nosso património....mas não temos isto assumido...andamos aqui que nem turistas, com as críticas de café que nada fazem de concreto...
Enfim Portugal como realmente é!
Beijo
Olá Cristina.
Sei que você é uma das nossas leitoras habituais. Assim sendo, sabe que nos dois últimos anos tenho feito sistematicamente anúncio das exposições e outras acções que se têm realizado no MNAA.
Porquê?
Porque têm sido trabalhos de elevada qualidade, reconhecidos nacional e internacionalmente. Porque me têm dado muito gozo. Como imagina ninguém me paga para fazer publicidade.
É verdade que pela primeira vez citei o nome de Dalila Rodrigues. O trabalho que o MNAA apresenta resulta de uma equipa e nunca senti necessidade de referir a chefe dessa equipa, que aliás só tive o prazer de me ter sido apresentada há três dias na inauguração da presente exposição temporária. (Consultando o Tugir verá que uma vez mais se tinha feito anúncio desta acção e ainda nem sequer se sonhava o que estava para acontecer)
Estou portanto à vontade para fazer agora o lamento que fiz.
De resto, concordo em absoluto com o seu texto, principalmente quando diz:
Talvez devêssemos começar a antecipar-nos. A falar mais de quem faz bem, de quem tem valor e principalmente de quem tende a acumular essa estranha qualidade de "pensar pela própria cabeça".... a ter mais atenção e os mesmos dedos afiados para quem merece ser acarinhado.
(Vou publicar este comentário no Tugir)
piresf.
a questão é saber se a contestação tem razão de ser ou não. sabemos pouco sobre o assunto...e repara que eu nem gosto de gente que diz mal SÓ porque é contestataria. se toda a gente dizia que ela era boa, poderia ter sido aproveitada, ou saiu só porque não concordava com algumas decisões?
francis
pois, se calhar podia-se ter resolvido a coisa de outra maneira..
beijos
Luis
não entenda como critica a si, por Deus! eu sei que sim...
~mas nós temos esta mania desgraçada de dizer mal e de não valorizar devidamente quem o merece.
se começassemos a dar o devido relevo a quem merece, talvez podéssemos contribuir um pouco para que se pensasse duas vezes antes destas decisões...mas não, só acordamos, todos, no fim...concorda?
beijinhos
É verdade Cristina.
Uma infeliz verdade que se prende com as invejas portuguesas.
Sempre prontos para atacar e nunca para louvar.
Temos de mudar de atitude, você tem toda a razão.
«não sei em que termos a senhora contestou a politica do governo.»
querida, se não sabe, não percebe que tudo o que vai dizendo carece de conteúdo e fundamentação?...
sem-se-ver
percebeu qual foi a intenção do post e não concorda ou é só a habitual vontade de criticar?
ka
principaçmente quando temos um meio afectivo de destacar a competencia. depois, quando damos pelo erro é tarde.
beijos
LNT
fiz um erro na resposta: *pudéssemos
eh, eh
Vou escrever no meu caderninho das troças.
Cristina:
Claro que podes e deves criticar o teu superior hierárquico, mas quase que tenho a certeza que o fazes sobre assuntos técnicos e provavelmente em reuniões de direcção.
Agora experimenta ir para os jornais dizeres que não concordas com a política de preços que se pratica no teu Hospital e pior ainda reclamares que um determinado subsídio deve ir direitinho para o teu departamento ignorando o resto do Hospital.
Mal comparado penso que foi isto que aconteceu mas é certo que continuariam a ser duas boas técnicas, tu no desemprego por uns minutos (que um bom médico tem sempre colocação) e ela regressando ás origens.
Aproveito para dizer que é raríssimo não concordar com o que VPV escreve.
Cris,
O post é interessante, e vende bem. Este é um daqueles assuntos que toda a gente compra, na mesma lógica com que toda a gente comprava alguns assuntos do Independente nos anos 90.
Há, agora como antes, uma "onda" permeável a todas as queixinhas anti-governamentais, em que somos pródigos, porque continuamos a acreditar que o governo é a fonte de todo o bem e de todo o mal.
Por estas e por outras é que a dita sociedade civil portuguesa é o que é. Não trata da vida porque toda a sua atenção está focada no omnipotente e omnipresente Estado.
Histórias como a desta senhora, e o seu contrário, existem às centenas, por dia, nas empresas privadas.
Mas essas não têm importância porque não se pode fazer "política" com elas.
Quanto ao post, propriamente dito, exprimes a tua opinião, com a qual parcialmente concordo. Mas...
Daí a afirmares que "o VPV só raramente faz sentido" parece-me de uma enorme soberba intelectual.
É totalmente legítimo que não gostes do "fígado" do VPV, mas parece-me insensato falar com esse desprezo de um homem com o currículo dele, que provavelmente desconheces.
Faz-me esta situação lembrar aquela vez em que, depois de zurzires, forte e feio, no Pacheco Pereira, teve que vir uma ex-aluna dele colocar algum bom-senso no debate.
é curioso que o que mais aprecio no VPV é o seu fel, mesmo que discorde com 50% (mais ou menos) do que ele escreve. também os opinadores públicos reconhecidos se exp~õem à critica, como os políticos... e outras figuras públicas, não transmitem verdades absolutas incontestáveis. deixei, até, já algum tempo de ler o que escrevem, não escrevo tão bem como eles mas penso com a minha própria cabeça de que não me envergonho.
Depois, como já foi dito e reforço, explora-se políticamente o que é aproveitável para esse fim sem se conhecer bem o que realmente se passou. a este nível, tudo se compra e vende, forte da sua situação de vítima a dona Dalila Rodrigues acabará por obter um cargo ainda mais importante, mais tarde ou mais cedo, e se é tão competente como dizem até será merecido!
"Dalila Rodrigues, por muito que lhe custe, está obrigada à obediência e não é admissível que vá para os jornais censurar a ministra"
Vasco Pulido Valente, PÚBLICO, 3-08-2007
ehehehehehe ... o batuta tem boa memória ... :-)
Tem sido um erro grande da nossa Democracia, a história das substituições, por razões de confiança política ou outras. Um erro partilhado pelas duas forças políticas que têm governado o país.
Pessoas competentes, com créditos dados, são substituídas das funções que ocupam por não serem da côr política (vigente) de cada governo. Com que direito se toma essa medida ?
Se a pessoa faz um bom trabalho. Porque substituí-la ?
Já para não falar naquelas situações, em que quem vai para o lugar, não só não dá continuidade ao que estava a ser (bem) feito, como às vezes até destrói o trabalho conseguido, por desconhecimento dos dossier's e por incompetência profissional.
E depois pergunta-se:
- Porque razão não passamos da cêpa torta ?
Ora aqui está uma boa (má) razão.
Só li a frase de VPV, que publiquei acima, o que é curto.
Mas não sabia que havia "intocáveis" neste País, ao ponto de Dalila Rodrigues não poder criticar e contestar uma medida política de um ministerial, mesmo do seu ministério de tutela ???
Estou a aprender agora com o VPV !!!
Mais um derivado do "caso charrua" ???
De facto "o caso" vende bem. Batuta é sábio e sabe-o ....:-))))
Concordo com o que diz a Cristina nest post como também concordo com o comento do Batuta.
Refiro-me a Dalila Rodrigues (que é uma amiga de longa data e que por isso mesmo me impossibilita comentar o assunto) e não acerca de VPL (que é um assunto que deixo para vocês os dois:)
Sublinho e assino por baixo a frase que também foi escolhida pelo Francisco do Turgir. É tão verdadeira que chega a fazer ricochete!!
Deve ler-se VPV e não VPL :(
batuta
vamos discutir a soberba intelectual um do outro ou deixamos a conversa com uma cordialidade aceitável? :D
quanto ao VPV, enfim ha curriculos que me impressionam, ha outros que.. nada.
mas isso é uma opinião pessoal, que é o que ofereço aqui; comprometida apenas com os proprios humores e convicções. lamento, mas é assim. para os dois, acho.
Fado
percebo o que queres dizer, só que há uma grande diferença: eu não sou funcionaria pública. o meu hospital não depende nem gere dinheiros publicos, vende um serviço ao Estado.
não faria qualquer sentido eu trazer problemas de gestão a publico.
no caso da senhora, posso compreender que manifeste a sua opinião sobre a forma como o estado gere os dinheiros publicos na sua área...não o fazem varias pessoas com funções no Estado?? aliás, varias das pessoas que criticam o governo são funcionários publicos...ou não? achas que devem ser afastados por isso ou devem denunciar? responde-me sinceramente...é importante. repito: TODOS os funcionários publicos se devem calar sobre a forma como é feita a gestão do dinheiro publico?
e-ko
tem lá as suas opiniões..lol..mas eu desconfio muito de quem acha toda a gente má. é ele nos jornais e o J.Gonçalves na Blogosfera: ninguém presta.
estas pessoas cansam-me horrores. às tantas já nem ligo ao que dizem, só os imagino a espumar pela boca a toda a hora.sério, uma visão dos infernos...
dalloway
não agradeço a gentileza, mas vá! :))
a propósito tenho uma coisa muito importante para combinar consigo, mais logo mando-lhe um E-mílio.
Cris,
Atenção: não há nada de trágico em não gostares do Vasquinho e do Gin Tónico.
Mas como tens essa propensão para zurzires pessoas altamente inteligentes e cultas - e que não abundam - a minha sugestão é que não o faças de ânimo leve.
Porque se não pouparmos esses, promovemos quais?
Sofia
não sei se é uma erro só da nossa, mas é verdade. aí está uma diferença fundamental entre a privada e o público.
na privada exige-se fidelidade, é certo, mas não se desprezam ideias que beneficiem a empresa se o funcionario mostrar que a intenção da critica é pôr a empresa a funcionar melhor, não a de "deitar abaixo". se for esse o caso, sou a primeiríssima a dizer despeça-se.
Cristina disse...
Muito obrigado.
Estamos a convergir.
Tanto quanto compreendo a senhora acha que com o modelo que lhe seria imposto não se pode governar o MNAA.
(A propósito já o visitei pelo menos seis vezes e é realmente uma maravilha.)
Assim como é que eu (ministra) posso ter à frente do segundo museu mais visitado do País quem está contra o modelo de governação e que o vem dizer publicamente?
Temos que ser realistas, não estamos a falar de um funcionário público estamos a falar de um quadro ao mais alto nível da administração.
Faz toda a diferença.
E se há ministro que eu deteste, esta é de certeza um deles.
«percebeu qual foi a intenção do post e não concorda ou é só a habitual vontade de criticar?»
intenção do seu post (corrija-me se eu estiver enganada sff):
exortar que cada um de nós e todos em conjunto passemos a destacar a excelência quando a encontramos, seja em que ramo for, quando as excelentes pessoas vão desenvolvendo o seu trabalho nas respectivas áreas. e não após - a sua demissão, o seu despedimento, a sua não-recondução, etc. (já agora, concordo, subscrevo, aplaudo)
acerto?
supondo que sim:
faça um exercício de leitura dos comentários, até ao meu e desde aí: foi disso que se falou? que se desenvolveu? que se discutiu?
não foi, pois não?
ok. então:
todos os comentadores, imagino, perceberam qual a intenção do seu post.
preferiram contudo, a esmagadora maioria deles - e vc com eles, no sentido em que lhes foi respondendo - analisar o caso concreto da senhora em questão, se sim ou não tinha sido 'bem' afastada, se o Ministério teve razão ou não, etc.
continuamos a concordar?
então, se foi assim (e foi efectivamente assim), a cristina foi respondendo, objectando, argumentando, sobre ESSES aspectos da questão (e já não sobre se devemos todos elogiar quem merece enquanto desenvolve o seu trabalho), partindo, mesmo assim, de uma situação por si mesma reconhecida: «não sei em que termos a senhora contestou a politica do governo.»
pelo que, em relação a este aspecto da sua resposta a mim, não vislumbro onde, no meu comentário:
a) possa decorrer que não tenha entendido a intenção do seu post;
b) estivesse a exprimir uma qualquer vontade de criticar só por criticar. ficou agora ainda mais claro que a minha crítica foi pertinente.
e sabe, cristina? não por tique ou hipocrisia, dirigi tal crítica com ternura. da sua parte, contudo, encontrei uma agressividade inusitada: obnibulando todos os meus vários comentários no seu blog em que já concordei consigo; acusando-me de ter uma 'habitual vontade de criticar', dirigida a si, suponho; personalizando uma questão que era unicamente intelectual; e, mais, marginalizando-me face a todos os outros comentadores que, aqui, não concordaram consigo.
donde, boa noite. logo volto cá um destes dias. e, para não arranjar momentos que me são desagradáveis, evitarei chamar-lhe a atenção seja para o que for. talvez seja do Verão, mas a cristina está hiper-susceptível, parece-me. ficar-me-ei pelas loas. (espero não vir a ser acusada posteriormente de ter uma 'habitual vontade de me engraxar'.)
p.s.: concordo com tudo o que o 'fado' defendeu, excepto isto: «Aproveito para dizer que é raríssimo não concordar com o que VPV escreve». no meu caso, é o contrário que acontece.
Fado
lol, bom pelo menos seria coerente, ter à frente do museu alguem que execute exactamente a a filosofia governativa. mas depois....quando isso acontece, a malta também não gosta, como se tem visto pelas últimas polémicas. como se resolve esse dilema?
(não respondeste à minha pergunta:TODOS os funcionários publicos se devem calar sobre a forma como é feita a gestão do dinheiro publico?)
Cristina disse...
Respondo com todo o prazer.
NENHUM se deve calar sobre a forma como o dinheiro público deve ser gasto.
Devem é depois não ter medo das consequências quanto mais perto estiverem da gamela.
sem-se-ver
bom, poderia ter lido a tal "habitual vontade de criticar" exactamente com o mesmo espirito com que diz que escreveu o seu comentário, mas não. paciencia, não me vou deter sobre isso.
quando pegou na minha frase, em que disse que não sabia em que termos foi feita a critica, é porque DE FACTO não é isso que é importante ou sobre isso que aqui falámos, se reparar em todos os comentários.
não ha um únido em que se fale das criticas EM SI,das palavras e dos termos usados.
até porque me parece que ninguem sabe exactamente as frases que a senhora proferiu. o que se discutiu, e era essa a intenção do post e o sentido em que acabaram por ir os comentarios, foi a critica de uma funcionária pública com funções de chefia às directrizes do governo a que devia obedecer. não o que a senhora pode ter dito, ou a forma como disse, que eu não sei e ninguem aqui explicitou melhor.
ora, você pegou EXACTAMENTE nisso: a forma, o que se disse e que eu desconhecia, e concluiu que eu nem devia estar a pronunciar-me sobre o assunto, não sabendo o que foi dito.
ou seja, pegou exactamente naquilo em que me podia atacar, o que só tem mal porque não era isso que estava em causa.
se quiser ler tudo outra vez faça favor. se não se quiser dar ao trabalho, amigas como dantes.
um beijo.
ps- se a encontrar por cá óptimo, se não, sobreviverei.
Fado
bom, medo não me parece que fosse o caso, senão não tinha falado. a mulher não deve ser ingénua de todo, espero.
mostrou indignação. as consequencias estão lá, como ela facilmente poderia prever.
Uma adenda vinda do Expresso
A historiadora, que dirigia o MNAA desde Setembro de 2004, tendo estado antes à frente do Museu Grão Vasco, em Viseu, tinha vindo a expressar publicamente, desde Fevereiro, o seu desacordo em relação à manutenção de uma gestão corrente para o palácio das Janelas Verdes. Defendia a sua autonomia financeira numa perspectiva de dinamização e crescimento da instituição e de independência face à tutela.
pelo que vi por aí, a mulher ficou um bocado chateada por serem desviadas verbas do museu para outros lados, que ela propria tinha conseguido. devia querer um organismo autónomo para melhor gerir o que conseguia em prol do museu...enfim, se era tão inovadora, queria provavelmente ser ela a decidir como conseguir dinheiro e como o utilizar. faz algum sentido, não sei...
eia como é bom acordar tarde numa manhã de sábado e descobrir que a cristina sobrevive sem mim!!! tira-me cá uma responsabilidade dos ombros que nem imagina!
queriduchazinha, veja lá como são as palavras... curiosamente, não entendi a sua expressão "não sei em que termos a senhora contestou a politica do governo.»" como sendo o conteúdo concreto - palavras utilizadas, se tinha havido muitos 'filhos da p***, bando de c****' e semelhantes, ou, mesmo sem ser insultuosas, outras - nas declarações (tb públicas) de desacordo que a senhora tinha face à tutela que, como o nome indica, a tutelava; mas interpretei sim 'termos' como 'substância', 'conteúdo', 'tipo' das críticas (exemplo: a última citação que o 'fado' acabou de introduzir'). ia jurar que era isso que a cristina queria significar.
donde: a sua leitura do meu comentário esteve errada desde o início. a minha habitual vontade de criticar (característica que com imensa ternura vc me atribuiu, fiquei a saber, e agradeço muitíssimo) não se dirigia ao seu desconhecimento «das criticas EM SI,das palavras e dos termos usados», mas sim ao tipo e substâncias das críticas em si mesmas - não à maneira como foram expressas verbalmente - pela senhora.
ou seja: o que me pareceu bizarro foi, essencialmente nas suas respostas a comentadores, estar a tomar uma posição sem, segundo vc mesma, deter o conhecimento necessário sobre o tipo dessas críticas e se é legítimo e defensável, num cargo público como aquele, poder endereçá-las à tutela (tb) através de meios de comunicação social. ou seja: a principal linha de discussão desta caixa. onde a cristina, mais uma vez, apela à sua experiência na privada e a transplanta para a área pública como se elas fossem equivalentes. e não são. e, se quisermos fazer aproximações, faria como um seu comentador acima: muito contestária no seio das reuniões com as suas chefias (só lhe fica bem), qual acha que seria a atitude delas se a cristina decidisse vir para a praça pública - vulgo, imprensa - contestar a direcção e respectiva gestão das empresas por onde tem andado? fá-lo-ia com a plena consciência de que poderia ser - e justamente - despedida, certo? então porque se amofina que o Estado despeça quem o faz no seu seio? só por ser Estado? só porque, ao ser governo, é bombo de todas as críticas? só porque, ao ser governo, tem de pacificamente conviver com quem ele não concorda no seu seio, e em posições de chefia?
a doutora dalila tem todo o direito de discordar da tutela; segundo ela, e muito bem, exprimiu-o sempre primeiro aos seus superiores; só que, por ser Estado, a seguir veio sempre para a praça pública. porquê? ora, porque é isso que todos podem fazer: a comunicação social serve como meio de pressão sobre a tutela. qualquer pessoa num cargo público sabe disso. porque a dita tutela, ao ser governo, está sujeita a esccrutínio popular (diferentemente da gestão privada).
mas depois, ou gere bem, com inteligência e parcimónia esse poder que tem (de pressão sobre a tutela usando a comunicação social como eco das suas discordâncias), ou não. a drª dalila esticou a corda sem cuidar de nenhuma rede por debaixo. donde, não se pode queixar de que não lhe tenham renovado a comissão. simples quanto isto: defende (e parece-me que bem) a independência da gestao do museu de arte antiga da tutela do ipm. o governo não aceita esta pretensão, não faz parte da sua política de governação dos museus. donde, como o governo não vai mudar a sua política pela pretensao de um dos seus dirigentes, o dirigente sai.
aliás, sabe cristina?, quando as divergências são graves, profundas e, como no caso, sobre questões estruturais e de política (forma de gerir), se não há conciliação possível, por uma questão de coerência e dignidade próprias deve ser quem 'perdeu a guerra' que deve voluntariamente abandonar o seu cargo.
(nota: detesto a ministra da educação; abomino a política cultural que tem sido seguida; a doutora dalila rodrigues fez um trabalho, mais do que meritório, verdadeiramente excelso; receio que tal trabalho nestes 3 anos se vá perder num abrir e fechar de olhos; temo-o pelo museu em si mesmo, pelos museus portugueses em geral.)
muitos se perguntam por que não hão-de ser critérios objectivos de avaliação do trabalho de um director de um museu os únicos a presidir à manutenção no cargo de determinada personalidade. faz sentido, esta obsrvação, aliás, partilho-a. desde que, e só, não estejam igualmente em causa divergências de fundo entre esse director e a tutela (como estavam) e deveres de lealdade (pelos quais passa não criticar a tutela nos jornais, mesmo que primeiro tais críticas tenham sido efectuadas a nível interno).
a doutora dalila deu um passo maior do que as pernas, e estatelou-se. sou a primeira a lamentá-lo, creio que todos nós: porque quem perde é o mnaa. a doutora dalila preteriu o mnaa à sua visão pessoal de como o gerir (acentue-se que, mesmo assim, foi com o actual modelo de gestão, com o qual ela não concorda, que ela conseguiu tudo o que conseguiu em 3 anos... porque ninguém pensa nisso também?...). tenho pena: é uma óptima directora de museus sem jeito para a política. nem imagina quanto a compreendo.
jocas, bom fds. keep cool.
sem-se-ver
lá vamos nós para uma discussão interminável...
quanto aos termos, pode incluir aí palavras, substância ou conteúdo, o que quiser. não conheço umas nem outros. sei unicamente que contestava a política de gestão da tutela e chega-me, é sobre isso que se tem falado aqui.
quanto às diferenças entre privada e público, não comparo nada, só anotei as diferenças - está na resposta ao Fado, não me vou repetir.
pena, tenho que quando se dirigiu aos superiores tenham feito tábua rasa. ou melhor, tenham respondido com a não recondução..
quanto às criticas públicas, pensemos para já nos políticos da oposição: quantos deles trabalham na privada e quantos deles trabalham no sector público? pois..
ou, já agora, que tenham respondido com a recondução (da senhora da dren). pois...
sabe? não é a minha área. mas detecto, naquilo que a doutora dalila defende, o desespero de quem tem a sua autonomia na gestão brutal e ridiculamente limitada. contudo, daí a pugnar por uma autonomia daquele museu face ao ipm... porque não todos os outros? quais as razões que justificariam tal estatuto de excepção? seria aliás prudente, desresponsabilizando assim o Estado por aquilo que, sendo dele, é de todos nós?
o que sei e me chateia pra caramba é que todo este processo desembocou na não-recondução de uma óptima técnica por inabilidade da própria na relação com a tutela, e não só por autoritarismo e autismo da dita tutela, como verificado em casos anteriores. e por isso concordei com VPV. dar argumentos a quem não os merece irrita-me mesmo muito.
a ver se o mnaa sobrevive a isto...
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