22 Maio 2007

...e??


sobre as provas de «aferição», a FENPROF acusa «O Ministério de Lurdes Rodrigues parece pretender que as referidas provas sejam mais um mecanismo de avaliação e responsabilização das escolas e dos professores, caso as classificações dos alunos venham a ser baixas"»

Duma conferência que decorreu em Maio em Lisboa organizada pelo Conselho Científico para a Avaliação de Professores em que responsáveis de vários países partilharam experiências, retirei:

Gerard Figari (laboratório de ciências da educação da Universidade P. Mendès France, de Grenoble)
«Em França o sistema de avaliação não é recente» A avaliação é feita externamente por inspectores, que têm funções diferentes dos inspectores portugueses. Cabe-lhes fazer uma avaliação pedagógica, em que avaliam individualmente os professores e visitam-nos nas suas aulas. Paralelamente, são avaliados pelos responsáveis do estabelecimento de ensino no âmbito de um plano administrativo e de organização do trabalho interno da escola.Os professores já estão habituados a esta avaliação e os pais não têm qualquer participação. Dificuldades? Nem por isso. Gerard Figari defende que tudo depende da maneira como as coisas são feitas: «Tem havido uma evolução nas funções dos inspectores nos últimos anos que se consideram não como controladores mas como acompanhantes do trabalho dos professores e isso ajuda». Contudo Gerard Figari reconhece que «há uma tradição de controlo» e, consequentemente, «há quem pense que a avaliação só serve para controlar». Mas a avaliação contribui também para o desenvolvimento dos próprios professores, para ajudar a tomar decisões, para assegurar transparência, defende. «Avaliar é julgar mas também é legitimar» «Avaliação não é compreendida nem aceite porque ninguém quer ser julgado. É vista como algo desmoralizador e ineficaz, pode criar climas de conflitos entre avaliadores e avaliados; influenciar o clima das escolas e criar sentimentos de injustiça»

Anne O'Gara, presidente do Marino Institute of Education-Irlanda
«a avaliação dos professores é importante uma vez que «encoraja e ajuda os professores na sua carreira».
Na Irlanda, existem diferentes níveis de avaliação. Em alguns casos, a avaliação é feita pela própria escola mas também existe uma avaliação individual dos professores, num processo que começa na formação para a profissão e que continua no exercício da mesma, quando as aulas passam a ser acompanhadas pelos inspectores de educação.Na avaliação participa toda a comunidade educativa, desde a direcção da escola, passando pelos restantes profissionais do estabelecimento de ensino, até aos pais e aos alunos.
«O desenvolvimento profissional dos professores é muito positivo, uma vez que se reflecte nos resultados dos próprios alunos »
Alerta, por isso, para a necessidade de desenvolver um trabalho conjunto para se «criar confiança na avaliação e nos benefícios que dela advém». Aos professores recomenda a avaliação por acreditar que «traz melhorias e que os aproxima do seu próprio trabalho», permitindo-lhes reflectir e melhorar o mesmo.

Gunter Schmid (responsável pelo Wiedner Gymnasium e Sir-Karl-Poppoer-Schule , Áustria)
«Qualquer processo que ocorra deve ser avaliado. Não se podem fazer coisas sem se saber o que se está a fazer e onde é que isso nos está a levar».
Defende que «é preciso mudar de atitude» e deixar de pensar na avaliação como uma ameaça e encará-la como um meio para o desenvolvimento e o conhecimento.
há 15 anos, na Áustria, os professores eram avaliados mediante inspecções clássicas, em que o inspector se limitava a assistir a uma aula dos professores em avaliação. Concluiriam que não era suficiente. «Há qualidades que não se podem avaliar apenas numa aula. A avaliação é um processo contínuo, que tem de prolongar-se ao longo de toda a carreira», sublinha.Nos anos 90, a situação alterou-se e a avaliação passou a ser feita por inspectores e por headmasters, que estão sempre presentes, acompanhando o dia-a-dia dos professores.Mas a avaliação não é só feita de cima para baixo ou ao nível dos pares. Inclui o feedback dos alunos e a participação indirecta dos pais, ainda que não de um modo institucionalizado.
.

Parece óbvio que é fundamental o controlo de qualidade de qualquer trabalho, em qualquer profissão. Os professores entendem que as provas de aferição não são o método ideal.
Mas ainda não percebi que tipo de avaliação preconizam para o trabalho que realizam.
Ou seja, condena-se este método como controlo de qualidade do seu trabalho, mas, não havendo (que eu conheça) outro, é natural que o nível de aproveitamento dos alunos acabe por ser, para a opinião pública e para a própria tutela, o único modo de avaliar a qualidade dos mais directos intervenientes no ensino. Neste sentido, e admitindo que haverá vários factores de enviesamento deste parâmetro, e sendo igualmente certo que "avaliar é também legitimar", terão com certeza outras propostas que tenham em conta as diversas realidades. QUAIS? Que método de avaliação propõem? É isso que ainda não percebi. Ou me escapou.....

17 comments:

Pêndulo disse...

Deve então, quem critica, propor sempre uma alternativa ?
Era complicado, não ?

(independentemente do tema do post sobre o qual não me pronuncio por desconhecimento do assunto)

immortal disse...

não há alternativa porque muitos não consideram sequer a hipótese de serem avaliados, os que não se importam nada serve porque não é bem assim que deve ser!
Há bons ou maus professores como há bons ou maus profissionais em qualquer outra área...
as provas de aferição não cobrem todas as disciplinas...e se os alunos sabendo que não é para a sua própria avaliação não se interessam muito...

Cristina disse...

pendulo

não necessariamente.mas...
atendendo a que me parece pouco polémico que qualquer trabalho deve ter um controlo de qualidade
que os professores se queixam de um forte e sistematico ataque por parte da tutela,
que é um assunto mediático susceptível de suspeição de fuga a essa avaliação,
é básico em qualquer defesa, propor alternativas...
ou seja, "nós não temos medo de ser avaliados, mas achamos que devia ser assim..."

eu tenho no meu trabalho parametros de qualidade bem definidos e monitorizados pelo ministerio.
mais, nós, no meu hspital, discutimo-los anualmente.
tu tens com certeza parametros de qualidade em relação aos quais és avaliado. e tens com certeza uma opinião sobre eles..

bom...e os professores? quais serão então os parametros de controlo de qualidade do ensino que praticam?

é só isso. eu não os conheço, além dos resultados dos alunos. por isso gostaria da opinião deles.

Cristina disse...

immortal

ha uma coisa que eu acho importante.
QUALQUER profissional que tenha orgulho no que faz se auto avalia.

está numa dessas declarações o fulcro da questão "Avaliar é julgar mas também é legitimar"

se não ha avaliação...ou seja, se a única prova da eficácia é o resultado dos exames, não havendo outra, isso vira-se necessariamente contra eles.

mais ainda recusar avaliação aumenta mais ainda a suspeição.
penso que seria um acto de legitima defesa, propor outras formas....

bj

Carlos Duarte disse...

Cristina,

Os extractos que publicou indicam isso mesmo: recorrendo à figura do inspector ou, em alternatia, profissionalizando a gestão das escolas e deixar à direcção da escola a avaliação dos seus professores.

O problema das provas de aferição é que não avaliam realmente os professores porque o trabalho destes depende de os alunos... Ou seja, a qualidade do professor mede-se pelo aumento do grau de conhecimento dos alunos em termos relativos, não absolutos.

E para ser possível esse aumento de conhecimento é necessário que os professores tenham a devida autoridade. Isso implica que, dentro de uma sala de aula, eles têm de ter o poder e não os alunos. E que os alunos devem sofrer punições proporcionais às quebras de disciplina.

Mais, é preciso abandonar de vez a ideia de que o facto de sermos todos iguais perante os outros e o Estado, isso implica que temos todos as mesmas capacidades. Não temos: quem não sabe para o nível que é exigido TEM de chumbar sem apelo nem agravo.

Cristina disse...

Carlos

quando me diz que os professores não têm autoridade sobre os alunos, já se está a auto-avaliar. ou seja, está a dizer que faz um mau trabalho não sendo sua a culpa.

mas repare, é ou não verdade que em escolas dificeis, ha professores que conseguem melhores resultados que outros? que ha professores que são mais disciplinadores que outros e que conseguem melhor aproveitamento que outros? ou são todos iguais?
é ou não verdade que mesmo em escolas ditas dificeis os alunos reconhecem com facilidade que uns professores são melhores que outros?

isto deve diferenciá-los ou não? e como? os que têm piores resultados, devem assumir alguma culpa no processo ou não?


obrigada pelo comentário

Raposa Velha disse...

Não sou prof. mas parece-me que provas em que os alunos não têm que estudar não serão a melhor forma de avaliação do trabalho docente...

O sucesso educativo é resultado de vários factores (sem nenhuma ordem em particular):
- programas e equipamentos adequados;
- estabilidade nas políticas educativas;
- bons professores;
- pais atentos;
- exigência na avaliação;
- ...

Que conclusões se podem tirar olhando para as notas que os alunos tenham? Que os professores foram maus? Ou que os programas foram desadequados? Ou foram os alunos que não estudaram porque não precisaram de o fazer? Ou....

Cara Cristina, se se pretende avaliar o ensino, há que avaliar todos os actores participantes: alunos, pais, professores, ME.

Para avaliar os professores, então ter-se-á que olhar para os aspectos concretos da sua actividade. Ocorrem-me a assiduidade, o cumprimento do programa e, claro, as notas dos alunos, enquadradas no respectivo contexto, mas de provas para as quais eles tenham que estudar!!! Parece-me tão óbvio isto ...

Bom, foram umas ideias soltas e não completamente reflectidas.

Anónimo disse...

Ó Cristina:

Os professores sempre foram avaliados. Podem não o ter sido até aqui da melhor forma, mas o que é proposto também não é o mais correcto. Avaliados sim, mas por quem está dentro do asunto e no terreno e de preferência que não tenha "interesses" nessa avaliação.

Todas as classes profissionais devem ser avaliadas , certo?
Segundo dizes vocês têm parâmetros de avaliação, discutidos anualmente. Como são conhecidos os resultados dessa avaliação? Os utentes têm conhecimento dela? São publicitados na comunicação social?
Porque é que os serviços hospitalares são tão criticados? E porque é que os médicos, por exemplo, não cumprem horários e fazem os doentes esperarem sempre? E isto não se passa só no público, passa-se também no privado. Ainda me aconteceu hoje,numa consulta de alergologia (esperei + de 45m para além da hora marcada) e fui largar uma nota! Se isso acontecesse com um prof, tinha falta e refalta.
E porque é que os médicos, salvo raras excepções , são arrogantes e tratam os doentes com sobrançaria???
Se há classe profissional que deve ser constantemente avaliada é precisamente a classe médica. Mas...vê-se, por exemplo, o que se passa com os inquéritos nas queixas apresentadas pelos doentes!
Admite-se que um médico receite a um doente um medicamento que tenha lactose quando este tem intolerânica à mesma e ele tenha conhecimento disso????
Mas certamente a culpa foi dos professores de medicina que os deixaram formar-se!

Desculpa, mas hoje estou um bocadinho zangada com a classe médica!

Beijinho

Bolacha

Cristina disse...

Bolacha

já percebi..
temos parametros sim e são publicos.
mas se é sobre os médicos que quer saber, escrevi em outrubro o seguinte:

«O conhecimento e eventual divulgação do desempenho dos hospitais é importante, não só para se poderem comparar estas organizações de saúde, como, para os utentes é importante a disponibilização científica de dados, credível, que lhes permita fundamentar a escolha.
A Principal finalidade da classificação dos hospitais segundo o seu desempenho ou competência, entenda-se técnico, não estritamente empresarial, embora uma possa conduzir a outra uma vez que pode condicionar a distribuição de recursos, é a de
clarificar os riscos e os benefícios que os doentes apresentam ao contactar uma determinada
organização de saúde e que podem afectar a sua probabilidade de obter um bom ou um mau resultado. Embora exista um intenso debate (em vários países) sobre a validade dos indicadores da qualidade dos cuidados prestados, a grande maioria dos autores aceitam que os mesmos são indiscutivelmente úteis para se inferir sobre a qualidade dos cuidados prestados
Utilizam-se principalmente três parâmetros: mortalidade, complicações e readmissões.

*A mortalidade, obviamente ajustada pelo risco, é facilmente mensurável e disponibiliza informação sobre as mortes evitáveis em cada hospital.
*As complicações ou acontecimentos adversos, embora admitindo que Alguns são inevitáveis, correspondem a um resultado não intencional ou indesejável do processo de prestação de cuidados.
*As readmissões, porque se assume que os doentes que receberam cuidados de saúde com boa qualidade estão devidamente estabilizados antes da alta e que os doentes que receberam cuidados de menor qualidade ou com alta sem a devida estabilização, têm uma probabilidade maior de desenvolverem complicações após a alta e de consequentemente apresentarem uma maior Probabilidade de serem readmitidos.

Estes são aspectos Clínicos, mas há outros.
Só depois de definido e implementado um modelo de avaliação do desempenho das unidades de saúde se poderão criar mecanismos que, simultaneamente, proporcionem uma maior responsabilização dos agentes internos (gestores e profissionais prestadores) e ao mesmo tempo possibilitem a sua reprodutibilidade na gestão de cada organização de saúde. Mais, o surgimento de um sector privado, ou público-privado, torna necessária a criação destes mecanismos de avaliação. Só ela poderá permitir uma avaliação científica e criteriosa da qualidade das novas
experiências de gestão.
O tema é vastíssimo, pretende-se apenas chamar a atenção para o facto de que, como em todos os sectores, o desempenho só ganha em ser avaliado. Tanto para os prestadores de cuidados, como para quem os recebe.»


voltando à questão, como avaliaria o desempenho de um professor?

um beijo

Cristina disse...

raposa velha

bem vindo e obrigada pelo comentário.

1ª dúvida:
diz:"provas em que os alunos não têm que estudar não serão a melhor forma de avaliação do trabalho docente.."
não será este um bom metodo de avaliar a capacidade do professor em agarrar o aluno durante as aulas? veja por exemplo a faculdade em que não se assiste às aulas teóricas e se estuda para o exame final...
mas, havia professores que conseguiam auditórios cheios..
o que diz isto dos professores,se nesse exame final o resultado for igualmente 20? diferencia-os?


2ª dúvida:
"Que conclusões se podem tirar olhando para as notas que os alunos tenham?"

imagine dois professores de matemática na mesma escola (escolho a matemática porque acho que é a disciplina em que o professor é fundamental na compreensão da matéria)
com a mesma prova, se com um passarem 80% e com outro chumbarem 80%(o que é frequente) em...imaginemos...3 anos seguidos a dar aulas só ao 10º ano (ja para retirar o peso da diferença de turmas) pode concluir alguma coisa em relação à qualidade dos 2 professores? ou não?
por exemplo, a maioria das escolas apresenta percentagem de chumbos escandalosas em matemática. isto não deve ser motivo de trabalho junto de professores e alunos? ou seja, estes resultados merecem atenção,vale a pena pensar neles, ou indicam nada?


3ª dúvida

programas e equipamentos...é ou não verdade que em escolas com poucas condições há professores com melhores resultados que outros? devem ser valorizados atendendo a esses resultados?

e repare que andei sempre à volta de um parametro: resultados, notas, e ajustamento mais ou menos adequado do professor aos alunos que tem.

um abraço

Anónimo disse...

Já tinha respondido e não ficou.

Acho que o desempenho de um professor deve ser avaliado interna e externamente. Internamente os professores podem ser avaliados dentro do seu departamento através das suas operacionalizações, práticas lectivas, resolução de problemas em contexto de sala de aula e escola e resultado das avaliações dos alunos (eu defendo os exames, para já) contudo, acho que têm que ser salvaguardas situações de inclusão.
Externamente por uma equipa de professores não pertencentes à escola e sem interesses directos na avaliação (nunca pessoas que não conheçam a realidade de uma sala de aula e do que é estar no terreno, como acontece com os ex-profs que estão no ministério a mandar bitaites e que quando estavam nas escolas não aguentavam os alunos!!!! Nem tão pouco sabiam como solucionar casos de indisciplina. E eu sei do que estou afalar porque conheci bem alguns casos desses.)
Eu não tenho problema nenhum em ser avaliada. De uma forma ou de outra sou-o todos os dias. Agora, não embarco é em "faz-de-conta", nem em situações de compadrio.E duma coisa que eu tenho muito medo é do "culto do pavão".

Beijinho


Quanto ao outro assunto, continuo na mesma.


Bolacha

Anónimo disse...

Olá
Não se trata aqui de ser contra a avaliação... Somos (eu pelo menos sou) a favor de avaliações... mas não posso estar de acordo com esta avaliação em que se pretende conhecer/avaliar o trabalho dos docentes pelos resultados dos exames.
E pergunto: como podem estes exames (cujos resultados não contam para as avaliações finais dos alunos - que até podem escrever apenas o seu nome e esperar que o tempo passe) servir para avaliar o trabalho dos professores?
No Ensino Secundário já temos uma situação que me parece mais ajustada, pois os resultados dos exames - apesar de não serem determinantes na nota final do ensino secundário - já tem alguma influência nos resultados dos alunos. No entanto não devemos esquecer que, também aqui, entram muitos outros factores como o facto de muitos alunos só investirem nas disciplinas que lhes servirão como específicas ou ainda a forte influência dos contextos geográficos e socioculturais.

Avaliar uma profissão em que diversos e variadissimos factores estão envolvidos requer muito estudo, ponderação e conhecimento do terreno... e é sobre isso que os professores têm dúvidas!

Ou seja, apesar de sabermos que quando se trata de falar de escola todos se sentem especialistas capazes de opinar sobre o que lá se passa (porque todos passaram por lá), temos que assumir que tudo isto é demasiado complexo e, por isso, não deve ser tratado (nomeadamente pela comunicação social) de forma tão leviana. Não nos podemos esquecer que muitas das opiniões de quem não está no terreno e não conhece a realidade se formam a partir do que se vai ouvindo aqui e ali!

Apesar de só agora ter decidido comentar, passo por cá muitas vezes e gosto sempre do que vou lendo! muito bem!

Até à próxima
m.bettencourt

Cristina disse...

m.bettencourt

olá, obrigada pelo comentário~.


pois, entende-se que esta não seja a melhor maneira de avaliar u trabalho de um professor, ou pelo menos não é a unica.

mas a questão que eu coloco é: de que forma podem ser avalicados de modo a que seja para vós, que penso que seja o naturalmente que pretendem, um "certificado de qualidade" justo.que diga realmente da qualidade de um professor.

beijos

Raposa Velha disse...

Cristina,
certamente terá lido a passagem onde escrevi que "as notas dos alunos, enquadradas no respectivo contexto" me parece que podem ser usadas para a avaliação dos professores. Isto responde ao seu ponto 2, em particular a parte "enquadradas no respectivo contexto" significa exactamente o que descreve.

Sobre o seu ponto 3: em todo o lado há melhores profissionais que outros. Note que não vejo nada de mal na avaliação profissional. Eu próprio tenho uma anulamente que discuto com o meu chefe directo, o chefe da minha empresa e com as pessoas que colaboram comigo. Mais, sou avaliado e também avaliador dos meus chefes e colegas. Agora pergunto-lhe: que avalia os políticos responsáveis pelo rumo da educação? Os eleitores?! Ora convenhamos...

Quanto à sua comparação do ponto 1, entre estudantes do secundário e do ensino superior, não faz sentido. Numa falamos de crianças na outra de adultos. O facto é que os miúdos ao saberem que vão fazer uma prova que não os avaliará podem - e acredito que o fazem - simplesmente não lhe dedicar um momento de atenção. O que será então avaliado? Possivelmente o desempenho familiar, no sentido em que famílias que colocam enfase na educação dos filhos exigirão deles boas notas, seja ou não para avaliação.

Há que distinguir duas coisas: avaliação pessoal, na qual se tem que incluir todos os intervenientes (alunos, professores, políticos/funcionários do ME, pais, ...) e avaliação do sistema educativo. Há muitos sistemas de avaliação pessoal que se pode aplicar aos professores como classe profissional. Mas os restantes actores não podem ser esquecidos. Por exemplo, um encarregado de educação que nunca aparece na escola não merece uma negativa? E que dizer de quem a meio dum ano lectivo decide mudar o programa com entrada em vigor logo no ano lectivo seguinte, isto é, alguns meses mais tarde?

E de certo que está a par da enorme carga burucrática que é chumbar um aluno do ensino básico. E que eles não reprovam por faltas. E que a avaliação com efeitos de retenção quase que se resume apenas aos momentos de transição de ciclo. Acha que isto são medidas conducentes ao sucesso educativo? Em todas as profissões há bons e maus profissionais e o ensino não será excepção. Mas os profissionais não têm mudado assim tanto e, apesar disso, parece-me que os miúdos hoje em dia estão pior preparados... Pois a mim parece-me é o ME está mais preocupado com os números do sucesso do que com o sucesso educativo propriamente dito e muitas das medidas adoptadas para o ensino básico soam-me sempre a formas de garantir as passagens, tenham os alunos aprendido ou não.

De há uns anos a esta parte instalou-se a ideia que as coisas se conseguem sem difuldades, sem esforço. A educação deve ser divertida e sem os aborrecimentos da memorização. Claro que deve-se perceber em oposição a usar a "fórmula". No entanto, como pode mais tarde um aluno compreender um polinómio se não sabe quanto é 7 vezes 8? "Coitadinhos dos meninos que não se podem esforçar".

Bom, alarguei-me demais no seu espaço.
Bj,
RV

Anónimo disse...

Não posso deixar de comentar o seguinte:
CRISTINA gostei bastante da sua linha de pensamento e obrigada por estes momentos de leitura. Bem haja !
Como esclarecimento sou sexagenário e não fui ; não sou e nem quero ser inscrito em algum partido.

Cristina disse...

anónimo

obrigada pela visita e pelo comentario simpatico.

fiquei esclarecida...:))) e volte! se não se importar, com um nick que se torna mais fácil reconhecê-lo e obviamente saber a quem respondo.

um abraço

Cristina disse...

raposa velha

que avalia os políticos responsáveis pelo rumo da educação? Os eleitores?!

é claro...sabe qual o problema? é que os competentes têm mais que fazer....não se metem em políticas nem se sujeitam a campanhas e votos.. e contra isso, fazer o quê?

eu sei que entre ensino sec. e sup. há diferenças, mas só me referia ao professor, às aulas que dá. por outro lado, os alunos do ensino sec. não podem faltar. porque se pudessem, talvez fosse outra indicação interessante sobre quem acham que vale a pena ouvir...

que os miudos estão pior preparados não ha duvidas...
agora o que me espanta é ver professores (tenho varios amigos professores) a queixarem-se exactamente de que uma grande parte dos colegas se estão nas tintas pros alunos..isso é que me entristece, porque quando vemos os resultados, somos levados a pensar isso mesmo.
um exemplo

esses amigos também têm filhos, quase todos da mesma idade e na mesma escola primária (isto foi ha uns 5 anos..). a dada altura, fizeram uma queixa da professora que sistematicamente expulsava da aula um miudo com dificuldades , que estava sempre distraido e que no seu entender perturbava os outros. o miudo passava as manhãs de castigo cá fora, até que os outros pais acharam que aquilo era demais...
que diabo de ideia tem esta criatura do que é formar, ensinar a criar o gosto por? será que o miudo era um caso perdido? para ela foi e para a vida dele também, tê-la encontrado, foi o pior que lhe podia ter acontecido.

cumps