há alguma época melhor
que esta para se falar de palavrões? é agora ou nunca c/&%!. Os mais impressionáveis, podem parar por aqui, clicar na cruzinha aí no canto superior direito e vão com Deus até mais logo.
Assim:
Começou com um texto engraçado do Público, escrito pelo jornalista Paulo Moura, mas que li no António Boronha
"Em nenhum outro lugar do país se fala um português tão rico como no Porto. perdoem-me os bem-falantes de todas as latitudes, mas eu, que já morei em muitas terras, nunca vi acariciar as palavras como no Porto. E não me refiro às camadas cultas. Por mais que isto custe aos lusos doutores, na Invicta, o povo apoderou-se do Verbo. "No Porto?", pasmará um lisboeta. "Eu quando lá vou só ouço palavrões!" Precisamente. Esse é um exemplo fascinante. No resto do país, os palavrões são usados em situações extremas, para mostrar desagrado por uma situação, ou para insultar alguém, que pretendemos rebaixar. E, usando-os, rebaixamo-nos a nós próprios também. É para isso que servem: para reduzir à obscenidade.
No Porto, os palavrões não são obscenos: são uma arte e uma filosofia. Não sei se algum linguista analisou alguma vez este fenómeno. Mas valia a pena. Primeiro porque, no Porto, os palavrões são fiéis à sua natureza - são vulgares e ordinários. Não são, como noutras regiões, raros e extraordinários. São de todos, e não de uma elite indecente. Depois, porque servem para exprimir uma sabedoria.A táctica é esta (e digo-o com todo o respeito e admiração pela terra onde nasci): há um jogo de metáforas, todas elas referentes ao acto sexual, que servem para compreender a vida. É um universo alegórico em que o sexo não é mais do que um exercício utilitarista de dominação e humilhação, uma economia do dar e do receber, um negócio de favores, promessas e cobranças. (continua aqui)
é isso mesmo. Concordo com Miguel Esteves Cardoso quando diz que Cada vez que um palavrão é utilizado fora do seu contexto concreto e significado, é como se fosse reabilitado. Dar nova vida aos palavrões, libertando-os dos constrangimentos estritamente sexuais ou orgânicos que os sufocam, é simplesmente um exercício de libertação. Ou como escreveu Millor Fernandes, os palavrões, são recursos extremamente válidos e criativos para prover o nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade os nossos mais fortes e genuínos sentimentos. Existe algo mais libertário do que o conceito do foda-se!? Naquelas situações de maior tensão, quando a corda está quase a partir, há alguma expressão que melhor reorganize as coisas que um foda-se? não!, é libertador, dá-nos tempo para respirar fundo e repensar a estratégia que nos pode salvar de maiores dissabores. Um dos melhores estabilizadores do humor que conheço e um belo poupador de xanaxes. Ou quando se entala um dedo numa porta...um Foooda-se! vindo da alma, tem ou não um efeito analgésico?
Assim:
Começou com um texto engraçado do Público, escrito pelo jornalista Paulo Moura, mas que li no António Boronha
"Em nenhum outro lugar do país se fala um português tão rico como no Porto. perdoem-me os bem-falantes de todas as latitudes, mas eu, que já morei em muitas terras, nunca vi acariciar as palavras como no Porto. E não me refiro às camadas cultas. Por mais que isto custe aos lusos doutores, na Invicta, o povo apoderou-se do Verbo. "No Porto?", pasmará um lisboeta. "Eu quando lá vou só ouço palavrões!" Precisamente. Esse é um exemplo fascinante. No resto do país, os palavrões são usados em situações extremas, para mostrar desagrado por uma situação, ou para insultar alguém, que pretendemos rebaixar. E, usando-os, rebaixamo-nos a nós próprios também. É para isso que servem: para reduzir à obscenidade.
No Porto, os palavrões não são obscenos: são uma arte e uma filosofia. Não sei se algum linguista analisou alguma vez este fenómeno. Mas valia a pena. Primeiro porque, no Porto, os palavrões são fiéis à sua natureza - são vulgares e ordinários. Não são, como noutras regiões, raros e extraordinários. São de todos, e não de uma elite indecente. Depois, porque servem para exprimir uma sabedoria.A táctica é esta (e digo-o com todo o respeito e admiração pela terra onde nasci): há um jogo de metáforas, todas elas referentes ao acto sexual, que servem para compreender a vida. É um universo alegórico em que o sexo não é mais do que um exercício utilitarista de dominação e humilhação, uma economia do dar e do receber, um negócio de favores, promessas e cobranças. (continua aqui)
é isso mesmo. Concordo com Miguel Esteves Cardoso quando diz que Cada vez que um palavrão é utilizado fora do seu contexto concreto e significado, é como se fosse reabilitado. Dar nova vida aos palavrões, libertando-os dos constrangimentos estritamente sexuais ou orgânicos que os sufocam, é simplesmente um exercício de libertação. Ou como escreveu Millor Fernandes, os palavrões, são recursos extremamente válidos e criativos para prover o nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade os nossos mais fortes e genuínos sentimentos. Existe algo mais libertário do que o conceito do foda-se!? Naquelas situações de maior tensão, quando a corda está quase a partir, há alguma expressão que melhor reorganize as coisas que um foda-se? não!, é libertador, dá-nos tempo para respirar fundo e repensar a estratégia que nos pode salvar de maiores dissabores. Um dos melhores estabilizadores do humor que conheço e um belo poupador de xanaxes. Ou quando se entala um dedo numa porta...um Foooda-se! vindo da alma, tem ou não um efeito analgésico?
Ou como manifestação de felicidade, qual é a graça de um "como estou feliz!", "que maravilha!", "que beleza!"..foda-se! isso dá a justa medida do sentimento envolvido?? claro que não, com certeza haverá derivados mais empolgantes....
Mas há outro palavrão de que gosto especialmente: puta-que-pariu. Reduz as coisas à dimensão que de facto têm, nenhuma. O gajo ainda por cima ficou chateado? PQP! Óptima expressão de raiva perante um facto absurdo, e assim, bem entoado, com brio, poderoso, arremata o assunto. E é muito menos ofensivo do que lhe chamar estúpido ou retardado, certo?
Num desabafo, numa expressão de revolta, numa comemoração, os palavrões são tão versáteis como a sua variedade e a anatomia é uma infinita fonte de inspiração
Otorrinolaringologista. Duodenopancreatectomia. Parassimpaticomimético. Adrenocorticotrofina.
Pronto, pra fechar com chave d'ouro.




48 comments:
conheço uma pérola linguística (de Trás-os-Montes e não do Porto) que eleva a arte do palavrão ao direito de cidadania num qualquer mestrado em literatura:
"prá real raíz do tutano da sexta costela da cona da puta que pariu esta merda!".
lindoooooo! bis!
ou, ainda do mesmo autor, num esforço de economizar vocábulos: "caralhos refodam esta merda!", que com o passar do tempo e graças à tradição oral também se diz "caralhos trefodam esta merda!".
a língua portuguesa é uma naçom! e uma naçom do caralho!
looool, foda-se! isto é que são comentários à altura!! :)))
(prevejo grande futuro, pra este blog :p)
beijocas
Ora nem mais!! Desde que me conheço com capacidade para interpretar este tipo de expressões, que tenho a completa noção que o nosso País é muito fraco na cultura de chamar as coisas pelos seus verdadeiros nomes. É um País que esconde a verdadeira cultura em falsos moralismos. Ainda assim e tendo a felicidade de viver grande parte da minha vida no Norte, fui sabendo que "ca**lho" no Porto é vírgula e chamar a alguém "fdp" ou "pan****ro" pode ser uma expressão de carinho. É assim que anseio durante a próxima semana inspirar-me com os meus Amigos do Porto ;)
ó meu ganda caralho, aqui no Porto tás na puta da tua casa, foda-se!
Foda-se ... caralho ... 'tava a ver que não !!!!
........ Que nunca mais ... tirava os punhos de renda, perante a Bloguer Cristina, do Contracapa.
É hoje ............ !!! Uffff !!!
... "'xpera aí", que eu já volto.
Vou chamar a "Caracolinha", qu'isto hoje é bom p'rá alma.......... é sempre a "dar-lhe" ....
eheheheheh ...
É carnaval, portanto ...
Yessssssssss !!
"animal" ...... foda-se, já me dói a barriga de rir .....
O texto de Paulo Moura é muito interessante. Faz associações fantásticas e eleva o conceito de palavrão a um estatuto extraodinário.
Esta minha cabeça não tinha parado para pensar sobre isto. Caralhos me fodam!
Depois aparece o sacana do Miguel com a sua sabedoria no que diz respeito ao uso da palavra e reforça a ideia de forma fantástica. Meu grande filho da puta!
Como se não bastasse o Millor Fernandes polvilha com o sarcasmo que lhe é habitual.Foda-se!
A artista Cristina arremata com o seu humor e sabedoria habituais, onde não faltam xanaxes e palavrões de outra ordem.
Porra!
Com este post apanhei no cú e nem piei!
Foda-se!
Como a Cristina sabe a minha prole tem dois registos linguísticos: Junto da mãe e Longe da mãe. Acontece que a mais velha desde Outubro está a trabalhar mais a sul. Logo no início passou-se com um condutor de autocarro. Entre a aclamação da populaça lá veio "a menina é do Norte, não é?". Dias depois um pombo bateu-lhe na "tromba" {a expressão é dela} soltando-lhe as interjeições tripeiras. Acto contínuo um senhor estava dividido entre a preocupação pelo estado da cara dela e a confirmação de que aquele vernáculo só podia ser do Porto.
Palavras para quê?
Cristina...
Que caralho de merda é assim aí no fim do post? Foda-se, cum caralho, que não percebo a ponta dum corno do que pra aí tás a dizer.
Quanto ao "acariciar as palavras" no Porto, bom, só tenho a dizer que nunca na puta da minha vida ouvi tal coisa carago aqui na Invicta.
Fónix!
Jokas grandes a partir.................... do Porto :)
em linguagem de 'puta fina' diria que agarraste bem o tema.
bj
um post "podre" de bom.
beijo.
Eduardo
uma das situações mais estranhas que tive no Porto foi uma vez que estava num café e estava um grupo de senhoras muito bem postas numa mesa ao lado a conversar. a dada altura, já não me lembro qual era a conversa, mas sei que começo a ouvir as damas a dizer asneiras que fervia. aquilo na época, ainda era uma rapariga educadinha :p, soou-me mal comó caraças! achei mesmo muito esquisito.. :DD
depois comecei a ir mais ao Porto e habituei-me à linguagem. parece muito mais descontraída e muito mais divertida. e faz um bem à alma... lool
beijos.
sofia
hehehe, mas eu não sou de me escandalizar com essas coisas amiga!! se soubesse o que eu ouço todos os dias...uiui!!e o que eu vou dizendo também! e sabe uma coisa?? chego à conclusão que as pessoas não são tão puritanas como parecem, pelo menos quando ficam desfrenadas, ou dementes, é um vê se te avias...:p portanto, o melhor é começar já, assim quando estiver alzheimeriada, olha! puta que pariu, já ninguém nota :))
jinhos
ahhh, e o nosso amigo Animal é um must de eloquência, cumbiber cum intelectuais é outro luxo :ppp
dalloway
já agora deixo aqui os textos do MEC e do Millor que são girissimos.
“PALAVRÕES”
Já me estão a cansar... parem lá com a mania de que digo muitos palavrões, caralho! Gosto de palavrões! Como gosto de palavras em geral. Acho-os indispensáveis a quem tenha necessidade de dialogar... mas dialogar com caracter! O que se não deve é aplicar um bom palavrão fora do contexto, quando bem aplicado é como uma narrativa aberta, eu pessoalmente encaro-os na perspectiva literária! Quando se usam palavrões sem ser com o sentido concreto que têm, é como se estivéssemos a desinfectá-los, a torná-los decentes, a recuperá-los para o convívio familiar. Quando um palavrão é usado literalmente, é repugnante.
Dizer "Tenho uma verruga no caralho" é inadmissível. No entanto, dizer que a nova decoração adoptada para a CBR 900' 2000 não lembra ao "caralho", não mete nojo a ninguém. Cada vez que um palavrão é utilizado fora do seu contexto concreto e significado, é como se fosse reabilitado. Dar nova vida aos palavrões, libertando-os dos constrangimentos estritamente sexuais ou orgânicos que os sufocam, é simplesmente um exercício de libertação.
Quando uma esferográfica não escreve num exame de Estruturas "ah a grande puta... não escreve!", desagrava-se a mulher que se prostitui.
Em Portugal é muito raro usarem-se os palavrões literalmente. É saudável. Entre amigos, a exortação "Não sejas conas", significa que o parceiro pode não jogar um caralho de GT2. Nada tem a ver com o calão utilizado para "vulva", palavra horrenda, que se evita a todo o custo nas conversas diárias.
Pessoalmente, gosto da expressão "É fodido..." dito com satisfação até parece que liberta a alma! Do mesmo modo, quando dizemos "Foda-se!", é raro que a entidade que nos provocou a imprecação seja passível de ser sexualmente assaltada. Por ex.: quando o Mário Transalpino "descia" os 8 andares para ir á garagem buscar a moto e verificava que se tinha esquecido de trazer as chaves... "Foda-se"!! não existe nada no vocabulário que dê tanta paz ao espirito como um tranquilo "Foda-se...!!". O léxico tem destas coisas, é erudito mas não liberta. Os palavrões supostamente menos pesados como "chiça" e "porra", escandalizam-me. São violentos.
Enquanto um pai, ao não conseguir montar um avião da Lego para o filho, pode suspirar após três quartos de hora, "ai o caralho...", sem que daí venha grande mal à família, um chiça", sibilino e cheio, pode instalar o terror. Quando o mesmo pai, recém-chegado do Kit-Market ou do Aki, perde uma peça para a armação do estendal de roupa e se põe, de rabo para o ar, a perguntar "onde é que se meteu a puta da porca...?", está a dignificar tanto as putas como as porcas, como as que acumulam as duas qualidades.
Se há palavras realmente repugnantes, são as decentes como "vagina", "prepúcio", "glande", "vulva" e escroto". São palavrões precisamente porque são demasiadamente ínequívocos... para dizer que uma localidade fica fora de mão, não se pode dizer que "fica na vagina da mãe" ou "no ânus de Judas". Todas as palavras eruditas soam mais porcas que as populares e dão menos jeito! Quem é que se atreve a propor expressões latinas como "fellatio" e "cunnilingus"? Tira a vontade a qualquer um! Da mesma maneira, "masturbação" é pesado e maçudo, prestando-se pouco ao diálogo, enquanto o equivalente popular "esgalhar um pessegueiro", com a ressonância inocente que tem, de um treta que se faz com o punho, é agradavelmente infantil. Os palavrões são palavras multifacetadas, muito mais prestáveis e jeitosas do que parecem. É preciso é imaginação na entoação que se lhes dá. Eu faço o que posso.
Miguel Esteves Cardoso
Os palavrões
São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia.
“Pra caralho”, por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que “Pra caralho?” “Pra caralho” tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho; O Sol é quente pra caralho; O universo é antigo pra caralho; Eu gosto de cerveja pra caralho, entende?
No gênero do “Pra caralho”, mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso “Nem fodendo!” O “Não, não e não” e tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade “Não, absolutamente não!” o substituem. O “Nem fodendo” é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, e você fica com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no Litoral? Não perca tempo, nem paciência.
Solte logo um definitivo “Marquinho, presta atenção, filho querido, nem fodendo!” O impertinente se manca na hora e vai pro shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio.
Por sua vez, o “porra nenhuma!” atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um “PhD porra nenhuma!”, ou “ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!” O “porra nenhuma”, como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha. São dessa mesma gênese os clássicos “aspone”(assessor de porra nenhuma), “chepone” (chefe de porra nenhuma), “repone” (responsável de porra nenhuma) e, mais recentemente, o “prepone” (presidente de porra nenhuma).
Há outros palavrões igualmente clássicos.
Pense na sonoridade de um “puta-que-pariu!”, ou seu correlato “puta-que-o-pariu!”, falando assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba. Diante de uma notícia irritante qualquer um “puta-que-o- pariu!” dito assim te coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.
E o que dizer de nosso famoso “vai tomar no cu!” e sua maravilhosa e reforçadora derivação “vai tomar no olho do seu cu!”. Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passando o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: “Chega! Vai tomar no olho do seu cu!”. Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e saia à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.
E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: “Fodeu!” E sua derivação mais avassaladora ainda: “Fodeu de vez!”. Você conhece definição mais exata e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e autodefesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de Polícia atrás de você mandando você parar. O que você fala? “Fodeu de vez!”.
Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de “foda-se!” que ele fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do “foda-se!” O “foda-se!” aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta. “Não quer sair comigo? Então foda-se!”. “Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!” . O direito ao “foda-se!” deveria estar assegurado na Constituição Federal.
Liberdade, igualdade, fraternidade e “foda-se!”
Millôr Fernandes.
___________________________________-
pronto, é grande mas vale a pena, foda-se! :DD
beijocas
Maloud
pois eu acho que usar o vernáculo de vez em quando, é quase como o humor, resolve qualquer constrangimento...acaba tudo descontraído e pronto. claro que depende de com quem se está a falar, mas é por isso que com alguns estamos na boa e com outros, estamos à espera que acabe a seca da conversa...:p
beijinhos
hr
são umas palavras fodidas que a gente usa quando não gosta do interlocutor :)))
essa de acariciar as palavras, tamem não me parece de homem do norte não! :pp
jinhos
António
pronto, há dias em que uma gaja não tá com saco pa se armar em "puta fina" :)))
beijinhos
Fui educada neste jardim plantado à beira mar, para os lados da capital e, daqui saí ainda adolescente com uma escorreita linguagem, para a Europa, antes da Europa nos ter aberto as suas portas. Passei, ao fim de algum tempo, a sonhar noutras línguas e a falar essas línguas com todos os ésses e érres e, como já devem saber, esses ésses e érres são variados, abundantes e nada extraordinários. Foi preciso ter passado por essas experiências para libertar as minhas interjeições recalcadas na infância. Só que por aqui pelo sul quando sai interjeição fica toda a gente a olhar... mas, já arreijei uma solução para isso, e até me sai mais espontaneamente, como muita gente vai percebendo "fuck you!" então lá vem "va te faire foutre connard!", traduzindo: vai te foder conas! ou "putain!" muito frequente.
Agora o que me choca é que é mais fácil insultar uma mulher do que um homem. Por exemplo, um gajo faz-te uma que te deixa de muito mau humor para 15 dias e só tens vontade de o apanhar pelos colarinhos e dizer-lhe olhos nos olhos: seu filho da puta! Pois não o estás a insultar estás a insultar a mãezinha dele, que até não tem culpa nenhuma mas, se for uma gaja que te faça a mesma sujeira, e que queiras aliviar a tua bílis, basta dizer: és uma puta! Há mais exemplos mas por agora já chega!
e-konoklasta,
Com os "ménes" começa-se assim:
.......... ó meu GANDA CABRÃO, que tens uns cornos, daqui (Lx) a Vila Real de Santo António ...
e depois continua-se .... por aí adiante.
eheheheheheheh ....
um beijinho
ah
Ó Sofia!
Lá está...... ó meu GANDA CABRÃO, que tens uns .... até VRSA... estás a insultar a mulher do gajo e se disseres que os cornos vão até ao Funchal, maiores são, e maior é o insulto pá mulher que se calhar nem era capaz disso...
Arranja-me um que lhes assente como uma luva e que não sobre para mais ninguém!
Ó e-konoklasta,
Ah .... mas é "ca" gente só lhe chama CABRÃO, se ele fôr mesmo CABRÃO.
E se o fôr, é porque o merece,....!
E a ser assim, a mulher 'tá-se a cagar para nós, e p'ra ele .... ainda mais !!!!
Eh pá, tu não puxes por mim ... vê lá, hã !!! ... senão eu fico muito mal "na fotografia", aqui no Blog da NOSSA Cristina.
Isto é só por ser Carnaval ...
beijinhos
Também me ri com esse artigo hoje. :) Para VARIAR (não dos comentários anteriores, atenção! de mim mesma) não digo nenhum, mas que belo postal que aqui espetaste! ;)
beijinhos!
ah mas posso contar uma história? supostamente ter-se-á passado com uma rapariga que conheci (embora possa ela ter contado como se se tratasse dela e fosse de outra, já se sabe como é).
estava ela em Londres e ninguém falava português (tazaber...). Entrou muito lampeira num café e perguntou aos gritos lá para o empregado:
"ó meu ganda cabrão' Onde é que se pode mijar aqui?"
ao que ele respondeu:
"na cona da tua mãe, minha puta do caralho"
(não sei é se se entenderam, mesmo atendendo à coincidência linguística...)
(mas acho que sim, afinal eram dois tugas num país diferente :DDD)
Catarina
foda-se pá! até as tuas fraquesas são mais fortes que tu melher! ri-me quando vi entrar no mail o 1º comento e dei uma gargalhada quando vi o 2º...tinhas capôr e tinhas capôr!! :DDDDDD
e-konoklasta
sofia
vomessês desculpem lá, mas não conheço melhor insulto pra um homem que chamar-lhe "cona de sabão"! adoro!, arrasa qualquer um. não há nada mais reles que um gajo ser um "cona de sabão", aquilo que numa mulher já era mau, então num gajo... :pp
isto tá bonito, meninas..., como dizia uma colega minha mais velha quando via um certo grupinho de raparigas a conversar, "realmente, vocês faziam corar um homem..." :/
Foda-se....depois do que aqui li hoje, nesta casa de tão bons costumes,... é fim do mundo....
ai....ela não está bem. Cá para mim, isto nunca mais vai ser igual.
looooooooool
PS - As existem dois locais de culto para os linguistas....o mercado do bulhão...e o estádio do Dragão. :)))
Beijos
e-konoklasta,
Na verdade, e há boa moda do Bolhão e da Ribeira (os dois verdadeiros locais de culto linguístico no Porto, Parrot), para insultar uma mulher nc se deve chamá-la de puta mas sim, bem puxado do fundo da alma: oh vacaaaaaaaaa!
100nada,
Eu sei da história de um colega que, em Munique, enquanto tomava banho resolveu correr a empregada de limpeza do hotel, k lhe batia à porta do quarto, com um "vai-te foder e vem cá mais tarde". Do outro lado da porta ouviu-se um: "daki para uma hora estou de volta".
foda-se, ganda gralha :p
Meninas,
Até encontrar um melhor vou sonhar com o cona de sabão!
Durmam bem!
Beijinhos!
O meu modesto contributo de portuense, acerca de um diálogo entre um gajo e uma gaja na baixa do Porto.
Manda ele o seguinte piropo: "ó filha, dava-te um banho de saliva";
responde ela: "olha, filho, esta cona já mijou muitos ossos"!!!!
Coisa fina.
Bjos
parrot
tens razão meu amigo, é uma nova era no ContraCapa :pp agora que descobri que afinal estavam todos engasgados, vou instaurar a libertinagem linguistica :))
o mercado do bolhon é paragem obrigatória quando vou ao porto :)
ao dragão ainda não me atrevo..:p
beijinhos
h.r.
loool, por acaso tens razão quanto ao vaca :))) eu costumo dizer: ganda vaca! é mt mais expressivo que puta:)).
jaasus, que caixa de comentários...
batuta
essa também é bonita!...fina mesmo :)))
meu deus! bem diz o outro que é o fim de mundo! quando até a batuta alinha pelo resto da banda...
:DD
beijocas
Tinha que voltar para agradecer a sua amabilidade em ter deixado aqui os dois texto. O do Miguel já conhecia, mas o de Millôr Fernandes desconhecia por completo.
Gosto da escrita de ambos e tenho vários livros e textos deles... e fiquei encantada com Os palavrões de M.Fernandes. Já o arquivei.
Obrigada Cristina
Beijo na ponta do nariz.
C'um caneco que não páro de gargalhar, já pareço parva. Isto está delicioso...
Acho que todos nós aproveitamos o post de hoje para momentos de catarse colectiva!
:))
...
:p
olhó pêndulo armado em "púdico" !!!
Como se a gente não soubesse que ele é do "nuorte", tripeiro do caralho !
(ainda é Carnaval ...)
:)))
A ver pela amostra...vais sentir-te em casa.
desabafem antes de pegar fogo.
grandes malcriadões.Eu dou-vos os palavrões
desabafem antes de pegar fogo.
grandes malcriadões.Eu dou-vos os palavrões
desabafem antes de pegar fogo.
grandes malcriadões.Eu dou-vos os palavrões
Um bom palavrão é um recurso económico que resume numa palavra o que de outra forma levava muitas linhas. Nunca chegarei a entender porque provoca tamanha catarse nas hostes a sul do Douro. Mas, foda-se, eu sou de Stº Ildefonso e tenho a certeza que aprendi a dizer caralho bem antes de saber o que era um pénis :))
Peço licença para referir um dos mais nobre palavrões de que me lembro, embora, lamentavelmente, em desuso: O "cumcaralho". Eu sei que não é bem, bem, um palavrão puro, já por ali há a preposição, mas será talvez a preposição que lhe emprsta mais riqueza e quiçá mais préstimo. Tenho uma pequena história, não do Porto, mas de Coimbra. O Cumcaralho ó Rosa era um taberneiro numa aldeia que hoje é um subúrbio de Coimbra, S. Martinho do Bispo. Cada vez que alguém morria em São Martinho, os familiares do falecido juntavam-se na taberna e ofereciam vinho, enguias fritas e rodelas de chouriço, que compravam ao "cumcaralho". Durante os anos em que estudei em Coimbra, fui, naturamente, a muitos funerais, depois de saber da existência do cumcaralho ó rosa. E porquê cumcaralho? Porque o homem de dois em dois minutos e por entre o choro das carpideiras (que as havia quase sempre) dizia para a mulher: Cumcaralho, ó Rosa, traz mais enguias. Cumcaralho ó Rosa, traz mais chouriça. Ainda hoje não sei o nome do cumcaralho ó Rosa. Sei que a mulher era Rosa, por razões óbvias mas ele, para mim, será sempre o cumcaralhoóRosa. Porque nunca lhe conheci outro nome, cumcaralho..
espumante
looool, obrigada pela vista e pela história deliciosa. Coimbra tem dessas coisas, que não se encontram em Lisboa.
também gosto e uso o cumcaralho, embora menos que o foda-se ou o Puta-que-pariu, esta é a minha de eleição:))
(fina a recepção ein?)
beijinhos
hipátia
é que os de "a sul do douro" são muito reprimidos...:))) ou pelos visttos nem tanto..
jinhos
eu sou do movimento do sim pelo palavrão!
eu e a minha B.I.T.C.H.!
olha que foudaaasss!
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