hoje,

tinha pensado falar do estudo da Associação Portuguesa para o Planeamento da Família (APF), que indica que cerca de 350 mil mulheres em idade fértil já terão abortado em Portugal(Público)
Muitas questões poderão ser colocadas, e tempo haverá para isso, mas há pouco, quando passei pelo ideias soltas, encontrei um post que me impressionou porque é uma das raras alusões ao assunto do ponto de vista de um Homem, que não pretende fazer juízos de valor, ou dissertar sobre a origem da vida, ou sequer sobre a legitimidade da futura lei (a ser aprovada) ou da moral de quem a ela recorrer. A questão surge à laia de desabafo, espontânea, vinda da alma, tão natural que estranho que ninguém ainda a tenha colocado. Por isso a deixo aqui. Pergunta o carlos a.a.: E homens, quantos terão partilhado a decisão? Quantos não partilharam de todo? Quantos partilharam e a mulher, não concordando com a sua opinião, tomou decisão contrária?
É uma questão muito difícil de responder. A minha convicção mais honesta sobre o assunto, é a seguinte: a mulher habitualmente, tem uma boa noção do tipo de relação que tem e da sensibilidade do companheiro em relação ao assunto. Portanto, tende a partilhar ou não ,conforme entenda 1º:que há intimidade suficiente para o fazer. 2º:que há a mínima hipótese de obter uma ajuda efectiva. Ou seja, se a relação é esporádica ou pouco consistente, tende a decidir sozinha, partilhando eventualmente com a família e amigos(excluo obviamente, outros contornos menos honestos..). Se é uma relação estável, normalmente partilha o problema e tem em atenção a opinião do companheiro. No entanto, já vi casos em que a mulher entende que não há de todo condições de prosseguir com a gravidez, mas por adivinhar uma reacção contrária, acaba por decidir sozinha-qualquer coisa do tipo "o meu marido vai querer a criança, mas eu sei que não há condições de criar outro", acontece. Portanto, Carlos, e sem qualquer dado sobre o assunto, admito que na primeira situação, numa relação sem laços afectivos e em que a mulher seja adulta e autónoma não partilhe a decisão. Nas outras relações, estou mais ou menos convicta de que o faz. A não ser que receie algum tipo de conflito, e por aqui poderíamos seguir para a análise de vários contextos, mas seria fastidioso e não alteraria a base da questão. Remete para a tua última e pertinente pergunta, Quantos partilharam e a mulher, não concordando com a sua opinião, tomou decisão contrária? Penso que esta é precisamente a fase a que qualquer mulher evita chegar. Ela decide e age antes de. Quer no sentido de ter a criança, quer no sentido contrário.
As respostas são delicadas e dependem muito da experiência, pessoal e social, de cada um. Esta é a minha, e só minha, impressão.



29 comments:
Ora aí está mais uma razão para o sim no referendo.
Pelo que ouço e sei, acho que o homem partilha e é parte da decisão. Poderá, obviamente, não ser sempre (até poderá nem desconfiar...) mas, em termos gerais, penso que sim.
Mas também penso que, qualquer que seja a decisão o homem é sempre muito menos afectado que a mulher.
(Vamos lá a ver se isto não fica em du/triplicado... - não sei o que raio se anda a passar com isto!)
pois é, muito bem pensado.
ah, sou a favor do sim.
A favor do Sim, claro, mas deixem que vos esclareça:
Há ainda muito "bom homem" que não só participa como pressiona fortemente para que aconteça.
Não querer assumir responsabilidades, não ter capacidade económica, não estar para assumir uma relação que não se quer pública... ui, são tantas as razões!
Conheço um caso que a rapariga escondeu a gravidez, até da própria família, porque sofria ameaças físicas caso não abortasse... se as nossas paredes falassem, muita hipocrisia jorraria!
Eu conheço um homem que se divorciou da mulher por ela intransigentemente ter abortado.Mais, ficou xéxé da cabecinha.
"As respostas são delicadas e dependem muito da experiência pessoal e social de cada um", essa é que é a verdade à qual, Cristina, acrescentaria que dificilmente alguém sairá da mesa do voto de consciência totalmente tranquila devido à complexidade do assunto.
Por exemplo que quando aduzes que a mulher terá de equacionar se há ou não intimidade suficiente, se a relação é esporádica ou não e estável, porque é que o parceiro não terá o direito de analisar o problema de ambos?
Se a mulher decidir sozinha levar por diante a gravidez ela tem o direito (e muito bem) de exigir que o parceiro assuma a paternidade e, assim sendo (e repito, muito bem) porque é que a opinião dela, em caso de interrupção, deverá ter mais peso que a dele?
Mas repito, a questão é demasiadamente complexa e íntima e é a intimidade, a minha repulsa em ver as mulheres em tribunal (e não os parceiros nem os técnicos que provocaram ilegalmente a IVG) e quem financeiramente se aproveita deste estado de coisas que me levará, talvez, a ceder em princípios que defendo e assumo.
Obrigado por puxares por mim porque isto da blogosfera dá muitas vezes para andarmos só a brincar.
O assunto bole muito, muito mesmo comigo, pedindo desculpe se, porventura, constatarem que não o abordo com a razão que deveria.
Deixo-vos uma pista - vão ao google, digitem "Manucha morreu a seu tempo" e leiam. É o máximo que posso fazer.
Desculpem a falta de frieza...
fui ler.
brutal.
abortos à parte...tenho tantas saudades tuas que quando te vir até te mordo!!! (promessas...)
bjs
easy
easy!!!!
só tu mesmo pa me fazeres rir à gargalhada agora!!:))))))caraças pá!! outro Natal a chegar e tu por esse Mundo de Deus a fazer o quê que não dás notícias?? tou quase zangada! quase...
beijinhos e um abração grande :))
manel
estas e outras..
beijinhos
LB
eu também acho que na grande maioria das vezes é...só em situações muito especiais não chega a saber.
mas na verdade a decisão acaba por ser dela, exactamente pelo que dizes.
beijinhos
francis
e ja tinhas pensado nisso? :)
beijinho
nanny
há milhentas situações, que não lembram a ninguem.
mas a questão do carlos é, achas que ha muitas mulheres a fazer abortos sem os parceiros participarem na decisão?
beijinhos
astrid
eu também :/
xexé não ficou, mas nunca lhe perdoou...
Hoje, pum! Bjinho Cesa,
Pois de facto é uma excelente abordagem sim senhor...
Ah é verdade já voltei e já tenho saudades das tapas
beijocas
Cristina
Esta questão do Carlos é muito interessante.
A mim nunca me passaria pela cabeça não partilhar a decisão com o parceiro.
De alguma forma seria uma traição muito grave ao que quer que fosse que os uniu.
Mas ele(Carlos ) lembra muito bem a questão de que do casal, apenas a mulher é considerada criminosa pela lei actual.
SOU ÓBVIAMENTE A FAVOR DO SIM.
Montes de beijos para ti e tb para o Carlos
Lola
Carlos
é muito fácil puxar por quem coloca questões interessantes :)
eu é que te agradeço teres colocado uma perspectiva masculina que vem "de dentro" e não contaminada pelo folclore habitual.
Em relação ao "equacionar se há ou não intimidade suficiente", geralmente há um relacionamento sem afecto, em que a mulher põe em causa a viabilidade dessa relação, associado ao facto de por qualquer motivo não poder ter o filho sozinha. pensa no que isso poderá representar...a imposição de um filho a alguem, alguma mulher quer isso para um filho? só por motivos obscuros...dir-me-ás que não sabe como o outro reagiria. certo, mas ha riscos que nem toda a gente está disposta a correr, uma informação dessas pode desencaderar uma situação de tal modo traumatica que eu entendo que ela aja antes de. precipitadamente? pode ser, mas não condeno.
quanto à responsabilização do parceiro...vamos lá a ver: imaginemos que a mulher tinha a garantia de um tribunal que o pai ía assumir a criança. com ou sem ela. ou que tinham à partida uma familia pronta a adoptar....quantas mulheres estariam dispostas a prosseguir a gravidez até ao fim nesse contexto? às vezes penso que as mulheres continuam a ser tratadas como coisas, ou como fornos de fazer filhos...
quanto ao texto de que falas, ja li. respondo-te por mail.
beijinhos
PR
:/ dá noticias :)
b'noite Principe, beijinhos
Mocho
ahhhhh, pensei que tinhas saudades minhas....:( que desilusão...:P
beijocas, correu tudo bem??? quero ver a reportagem :)))
Lolita bonita
também depende um bocadinho "do que quer que fosse que os uniu", não é? ele há uniões e uniões...lol
beijocas lindona:)por mim e pelo Carlos, certamente :)
Creio que esta é uma questão em os parceiros deveriam analisar conjutamente, antes do fato ocorrer e agir sempre com responsabilidade.
Hola, Dear Cristina.
Hm. . . abortion is such a touchy subject. Dear me.
I do hope you are well. I miss visiting here more often. I need your sober, Euro point of view more. Things here in this asylum called America are as crazy as ever, if not worse.
A quick kiss as I walk out the door, and a greeting to you and your loved ones as well.
jctunes
idealmente sim...mas nem sempre acontece, e por circunstancias várias que é muito dificil julgar..
obrigada pela visita:)
beijo
geoffrey
Hi, my dear friend, I've missed you too and it's great to welcome you back!Hope you have been well...
asylum called America??? Outch! not only America, It's a crazy world, man!
what can we do? anyway... We all have an innate level of happiness (Segal said) I hope...
big kiss :))
Sendo o assunto em discussão “matéria” feita a dois, não vejo outra forma de ser resolvida se não a dois. Isto é o que eu acho correcto, aceito contudo que a mulher deve ter a palavra final, ela é que sabe se psicologicamente está preparada para ser mãe, disponibilidade mental é aquilo que ela mais precisa para amar desde o primeiro momento e a criança ainda dentro dela “sentir” que é amada. Nada pior que um filho não desejado e o que se precisam mais são crianças felizes. Aceito também que um homem que deseja ser pai se sinta miseravelmente infeliz se a parceira decidir o contrário. Mas sabes onde eu achoq ue está o problema? As pessoas não dialogam. Esses assuntos devem ser discutidos antes de acontecerem e não quando acontecem. Como em quase tudo estamos muito habituados a reagir ao invés de agir.
Eu só conheço a situação contrária aquilo que falas.Conheço mulheres que esconderam a sua gravidez até ser tarde demais para que os seus parceiros não as “obrigassem” a abortar. Não conheço o reverso da medalha nas minhas relações mais próximas. O que eu penso é que se uma mulher decide fazer um aborto sozinha, sem que o parceiro sequer se aperceba, que raio de relação é essa? Há coisas que me custam a entender
gi
talvez não dialoguem o desejavel, mas nesta situação, fala.se...
agora,é feito a dois, mas sabes como eu que esse 2 deixa de existir, ou nunca existiu em muitos casos. e aí, admito que seja muito dificil o dialogo, ate pela alta imprevisibilidade do resultado, não é?
o caso: por isso mesmo eu disse que a mulher muitas vezes, quando prevê conflito age antes, quer no sentido de ter, quer no sentido de não ter..
beijocas
Enviar um comentário